Fugas - restaurantes e bares

  • Paulo Pimenta
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New Yorker: Um lounge à prova de frio

Por Andreia Marques Pereira ,

O New Yorker Bar, no Sheraton Porto Hotel & Spa, não se transformou por completo, mas quer rejuvenescer.

Preguinho de vitela em pão de bolo do caco com champanhe? Tártaro de novilho com maionese de caju com cerveja Erdinger? Bifaninha em pão de mostarda com um Sauvignon Blanc? Podem ser associações improváveis — a ideia é mesmo essa — mas a combinação é, se calhar inesperadamente, perfeita. É pelo menos essa a opinião no New Yorker Bar, que decidiu ser arrojado e assim contrapor alguma irreverência num local que é mais associado a um certo institucionalismo. Ou não fosse este o bar (um dos) do Sheraton Porto Hotel & Spa, conhecido pelo seu perfil corporate. E se o serviço se renovou, o próprio espaço também — é estranho, podemos dizer, que o summer lounge seja apresentado no Outono, com uma festa “Farewell Summer”. No entanto, não seja o Inverno chuvoso, o lounge poderá ser uma opção para quem gosta de lareira e mantas ao ar livre, pois preparou-se para o frio. O New Yorker Bar não se transformou, mas quer rejuvenescer. 

De uma das mesas do bar, inundado de luz natural pelas paredes de vidro que acompanham o pé direito alto, cobertas por cortinas leves — que já não separam do exterior, antes oferecem um prolongamento para o novo lounge — o espaço vê-se moderno mas contido. As mesas de madeira, as cadeiras-sofás, costas altas, cores quentes; o balcão enquadra-se numa “caixa” de madeira escura em cor de mármore rosado (lá dentro, as prateleiras transparentes iluminam-se), os bancos (também quase cadeiras) escuros; ao fundo desta sala comprida, depois de uma “arcada”, um piano (uma grande tela por cima, agora corrida), do lado (e já estamos virados para a fachada do hotel) uma mesa de snooker, vários grupos de sofás, tipologias diversas (incluindo poltronas orelhudas) e as mesmas cores vermelho, castanho, preto que revestem o espaço tornado (mais) confortável por tapetões tamanho XXL. O bar sempre foi muito tradicional, assume a directora-geral do hotel, Joana Almeida, do género “cocktails, scones, chá das cinco”. Não os abandonou, claro, mas passou “a ir ao encontro dos mais jovens”, numa perspectiva “mais trendy, mais personalizada”.

Num local muito procurado ao final da tarde, pelos hóspedes mas também por quem trabalha na zona, para tomar algo antes do jantar, numa mistura “cosmopolita”, começou a perceber-se que os estrangeiros tinham grande curiosidade pela gastronomia local. “Tínhamos a francesinha como referência no bar”, explica, “mas os estrangeiros pediam-na ao final do dia antes do jantar”. Assim, a aposta na culinária do Porto e do Norte reforçou-se, mas em porções mais reduzidas e combinadas com as tais bebidas improváveis (normalmente há duas sugestões para cada petisco e incluídas no menu “paired” o preço é mais reduzido). “Quisemos também surpreender, sair da norma”, assume Joana Almeida — no Verão, por exemplo, havia sardinhas em conserva; a francesinha mantém-se agora em versão “mini” e vem com ovo de codorniz e batatas fritas (os pairings sugeridos são um Herdade dos Grous tinto de 2014 ou uma cerveja Maldita Bohemia pilsner). E, simultaneamente, induzir nos hóspedes a adopção de alguns hábitos locais, como jantar mais tarde do que estão normalmente habituados.

Já vimos que há encontros inesperados à mesa — mas também há mesas improváveis. E agora saímos para o terraço, que de algum modo se estende por todo o jardim que é uma espécie de triângulo isósceles cujo topo é a união de duas ruas, já quase na Avenida da Boavista. A tal mesa improvável num hotel de cinco estrelas é comunal: alta, comprida, debaixo da “pala” que recebe quem primeiro sai do New Yorker e zona preferencial dos fumadores nestes dias mais frios. Neste espaço abrigado, a mesa é um dos sinais do novo lounge que quer promover convívio, mesmo entre desconhecidos. O sofá enorme, em forma de que se alinha já a descoberto segue a mesma filosofia. Estamos num terraço feito de lajes de granito onde a lareira passa quase despercebida — uma barra branca quase como um sound dock de linhas direitas e depuradas — e onde se espalham várias ilhas de sofás brancos. Embrenhando-nos no jardim — que por estes dias estará decorado para o Natal —, árvores frondosas e outras recém-plantadas, relvados, arbustos, novos quadrados de granito marcam espaços de terraços (este à espera do Verão).

Se a programação no lounge só acontecerá no Verão, no New Yorker Bar ela é regular. Às sextas-feiras e sábados, a música ao vivo é uma garantia, seja com banda seja com DJ. “Depende do tipo de clientela que temos no hotel a cada momento”, sublinha Joana Almeida. Até o tipo de música está relacionado com o perfil dos hóspedes, sendo os mais frequentes o jazz, a bossa nova, o fado. Na verdade, como o cliente aqui é quem manda mesmo, “pode haver até tipo de animação diferente”. “Já apostámos muito nas noites de fim-de-semana”, recorda Joana Almeida, “agora percebemos que se calhar temos de alinhar mais pelo posicionamento do hotel”. 

O que não significa que o New Yorker não esteja sempre aberto a não-hóspedes. É um ponto de encontro, tranquilo e relaxado e que com bom tempo se abre num jardim que é um trunfo mais ou menos escondido — mas que se quer exibir à cidade.

Nome
New Yorker Bar
Local
Porto, Ramalde, Sheraton Porto Hotel & Spa - Rua Tenente Valadim, 146
Telefone
0
Website
www.sheratonporto.com
Observações
Horário: De domingo a quinta até à 1h; sexta e sábado até à 1h30
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