A casa Fendi vai doar mais de dois milhões de euros a Roma para que concretize o muito necessário restauro de um dos mais icónicos monumentos da capital italiana, a Fonte de Trevi.
Numa conferência de imprensa, na segunda-feira, Karl Lagerfeld, o director artístico da marca, não escondia o prazer de participar numa renovação que vai demorar mais de 20 meses até estar concluída. "A fonte homenageia a água que é o elemento mais importante da vida", disse o costureiro, para quem esta "doação", segundo o presidente da câmara, Gianni Alemanno, deve "ser vista como um exemplo".
Em troca, a Fendi pede apenas que seja colocado um cartaz (de 30x40 centímetros) onde se informa que o restauro é financiado pela casa de moda. Depois será colocada uma placa, próximo do local. Prevê-se que estaleiro seja removido em 2015, mas até lá o acesso à fonte estará aberto e os visitantes poderão continuar a atirar moedas de costas voltadas e a pedir desejos.
A Fendi esclareceu que o interesse é puramente de "mecenato cultural", como forma de agradecimento pelo acolhimento que a cidade - onde se instalou há 95 anos "como uma casa de malas", recordou Lagerfeld - dá à marca.
Assinada por Nicola Salvi, após encomenda do Papa Clemente XII, a fonte barroca demorou 30 anos a ser construída, entre 1732 e 1762, como parte de um plano de renovação da cidade. No concurso lançado por Clemente XII participaram os mais importantes artistas da cidade mas o projecto de Salvi venceu por ser aquele que menos contraste produzia com o edifício onde seria inserida.
A fonte, construída na pedra característica de Roma, o travertino, tornou-se na fachada traseira do palácio e situa-se no cruzamento de três ruas. Mas o projecto é anterior e foi primeiramente concebido por Bernini, a pedido do Papa Urbano VIII, do qual, dizem os especialistas se percebem as influências, nomeadamente na disposição dos dois tritões ao longo do conjunto arquitectónico. Mas o tempo acabou por degradar um dos pontos de paragem obrigatória para quem visita a cidade.
A Fontana di Trevi é um dos marcos da cidade e a sua fama, apesar de mundial após o filme La Dolce Vita, de Fellini, onde uma Anita Ekberg invadia a fonte para um banho nocturno, há muito que a havia inscrito no quotidiano da cidade. Na memória dos romanos, que hoje não podem imitar a famosa cena, e nas fotografias das décadas de 1960, que seriam retratadas no filme de Fellini, encontramos focas a nadar na enorme bacia que se enche com a água expelida pelo deus Oceano, ao centro do arco do triunfo que Salvi desenhou, ou banhos de verão, hoje também interditos.
Quando em Maio de 2012 foram apresentados os resultados de uma intervenção localizada, após a queda de uma parcela lateral do monumento, e que havia custado mais de 300 mil euros, os alarmes soaram. O valor do restauro total era incomportável para um país em dificuldades económicas, explicou Gianni Allemanno, presidente da câmara e membro do partido conservador PDL, de Bersluconi: "Chamamos as forças empresariais que têm o dever moral de apoiar a administração na tutela do património".