O plano de recuperação da Gift Voucher, empresa do grupo A Vida é Bela responsável pela venda dos cupões que davam acesso aos produtos e serviços fornecidos por terceiros, foi chumbado pelo Tribunal do Comércio de Lisboa na semana passada.
De acordo com informação disponibilizada no Portal Citius, gerido pelo Ministério da Justiça, a homologação do plano subjacente ao Processo Especial de Revitalização (PER) requerido pela empresa em Dezembro de 2011 foi objecto de "recusa" por parte do juiz que analisou o caso.
Apesar de a Gift Voucher ter conseguido um entendimento prévio com os credores, que permitiu entregar no tribunal um acordo para a viabilização financeira a 19 de Abril, a recuperação da empresa acabou agora por se travada judicialmente, tal como prevê a legislação em vigor. O juiz poderá agora decretar a insolvência da empresa.
O negócio, fundado por António Quina, começou a entrar em dificuldades ainda em 2011, como o próprio assumiu em Dezembro, numa entrevista do Expresso. No entanto, foi em meados do ano passado que os problemas se intensificaram, depois de se ter tornado público que os vouchers da A Vida é Bela estavam a ser recusados pelos fornecedores.
O grupo, que chegou a ter uma quota de 80% no mercado nacional, viu-se forçado a requerer o PER, um mecanismo que permite a negociação judicial das dívidas com vista à recuperação, tendo surgido como alternativa à insolvência a partir de Maio de 2012.
Da lista de credores fazem parte clientes, cadeias de hotéis, empresas de turismo e bancos, como é o caso do BES e do Montepio Geral. Além da Gift Voucher, A Vida é Bela requereu o PER para outra participada: a Maritz Marketing, que é responsável pela emissão de facturas dos cupões. Neste caso, o processo está numa fase mais preliminar, não tendo ainda havido acordo em relação ao plano de recuperação.
Na entrevista que concedeu ao Expresso em Dezembro, António Quina revelou que as dívidas acumuladas pelo grupo alcançaram cerca de 12,5 milhões de euros, dos quais nove milhões eram devidos a instituições financeiras. O gestor mostrou-se convicto de que seria possível saldar os créditos em falta.
A Vida é Bela, que chegou a ter 80 trabalhadores e uma facturação de praticamente 50 milhões de euros (já contando com as apostas que fez em Espanha e no Brasil), foi alvo de mais de duas mil queixas de consumidores à Deco em 2012.