Fugas - restaurantes e bares

Meninos do Rio

Meninos do Rio Daniel Rocha

Meninos em Glória no rio

Por Carla B. Ribeiro

Continua a ser o Glória, o bar que dá música ao vivo à zona entre o Cais do Sodré e o Bairro Alto. Mas agora, numa aliança com o Meninos do Rio, bar-restaurante-esplanada plantado à beira Tejo, revela-se ao ar livre e promete aquecer os fins-de-semana lisboetas com festas animadas.

O palco intimista é exactamente o mesmo, assim como os fiáveis e precisos sistemas de som e luz. E até a decoração foi trazida do número 36A da Rua do Ferragial de Baixo, perpendicular à Rua do Alecrim, para um poiso mais ribeirinho: o Glória mudou-se de armas e bagagens e divide, até 3 de Setembro, o espaço ao ar livre com a esplanada do Meninos do Rio, um restaurante-bar com o Tejo aos pés e Cacilhas à vista.

Foi a solução encontrada para manter casa cheia no pico do Verão, uma altura que "este tipo de mercado [bares de música ao vivo] não tem saída", como aponta Rui Tavares. Ainda foi equacionado fechar em Agosto, como há um ano, ou arrumar a trouxa e rumar ao Algarve com o Glória, "o que implicaria estar longe da família, além de ser um desgaste de viagens". Mas o que acabaria por vingar seria uma parceria com o Meninos do Rio. "Assim que lhes fizemos a proposta, ficaram entusiasmados com a ideia", diz.

Para trás, os sócios Rui Tavares e Rui Glória deixaram o espaço do Glória a que já habituaram um séquito de fãs - "Depois de uns primeiros meses mais complicados, a casa cresceu e estabilizou" - despido e irreconhecível. Na bagagem trouxeram mesas e cadeiras, candeeiros e candelabros, além de pequenos objectos decorativos. "Espero que, se começar a chover, não estrague tudo... é um risco", desabafa Rui Tavares, com verdadeira preocupação: "Seria uma pena ver estas cadeiras", em madeira maciça e pintadas de branco, poisadas num chão a imitar a pedra do Glória, "estragarem-se".

A mudança não foi apenas material. Juntamente com o mobiliário, vieram os funcionários, que "nesta altura já funcionam como amigos dos clientes": a pessoa na pequena recepção improvisada, e a quem compete fazer uma selecção de quem entra em glória ou não, é a mesma que os clientes fiéis reconhecem da casa original, assim como todo o pessoal a servir no bar ou às mesas. Já a carta de bebidas, embora mantenha os mesmos produtos, viu os preços revistos em baixa, em linha com os valores aplicados no Meninos do Rio. "Não fazia sentido estar aqui a vender por um preço e ali ao lado por outro."

Mas, acima de tudo, o Glória no Meninos do Rio mantém o elenco que lhe valeu um lugar só seu na rota dos bares de música ao vivo de Lisboa. Para isso, os músicos mais eclécticos do Glória foram convidados a comporem a selecção musical à beira Tejo. Shakra, David Ripado, Rui Drumond e Funks são os nomes eleitos para animar as noites de quinta a sábado: "São as bandas [que costumam tocar no Glória] com um repertório mais diversificado", justifica o gerente do espaço.

A agenda para os próximos fins-de-semana promete ainda oferecer outras sonoridades, como por exemplo com o funk cheio de alma dos Soul Breezze, que se apresentam hoje à noite, ou com festas temáticas: confirmadas estavam a Mojito Party, a 24, e a Festa Jameson, a 11 de Agosto. Haverá ainda Festa Heineken, mas quando a Fugas se rendeu à música ribeirinha ainda não tinha data marcada.

Construído o espaço em tudo semelhante à casa que projectou glória nas noites musicadas de Lisboa e envolto por uma tela microperfurada de forma a assegurar o "carácter reservado e exclusivo", que é marca registada do bar, faltava a Rui Tavares, momentos antes da inauguração, no último dia 14, a certeza de também ter conseguido trazer consigo os clientes habituais. O receio rapidamente se dissipou: duas horas mais tarde, já tudo se tinha composto entre os fãs Glória que aproveitaram para jantar no Meninos do Rio antes de abraçarem o seu ritual nocturno e os clientes do Meninos que, depois do repasto na esplanada, trocaram o habitual deleite da conversa ribeirinha ondulada de sonoridades envolventes por momentos menos dados a contemplações e pontifi cados por elevados decibéis que foram tomando conta de todo o espaço, ora com temas velhinhos dos idos anos 70/80, ora com motes mais actuais que fazem o furor do Verão.

É certo que, com o avançar da noite, as mesas, colocadas num palanque de uns 20m2 e protegidas por uma lona, estavam praticamente vazias, mas pouco espaço sobrava para dançar - nada que incomodasse as centenas que foram por ali passando na noite de inauguração (ao todo, o Glória registou mais de mil entradas nas três primeiras noites) que, na maioria de caipirinha na mão, fazendo jus ao espírito de Verão, se juntavam em uníssono à voz, tão possante quanto camaleónica, de Paulo Pacheco.

Mas o que é preciso para entrar neste templo da música ao vivo? "Basicamente é preciso ter bom aspecto." O que nada tem a ver com a roupagem, apressa-se a clarifi car Rui Tavares. Sem consumo mínimo obrigatório - "Achámos melhor não concorrer com o já existente bar na esplanada" -, o certo é que este Glória, embora aberto a todos, quer manter-se reservado. A lona que separa o Glória do Meninos serve, aliás, como uma protecção em relação a quem passa pelo passeio marítimo e, consequentemente, serve de bloqueio à vista do rio. "O que é uma pena. Pode ser que ainda se abra o espaço", diz hesitante. "Mas o mais provável é que se mantenha assim: protegido." E em glória.

Glória nos Meninos do Rio. Rua da Cintura do Porto de Lisboa, Armazém 255. Santos-o-Velho. 1200-109 Lisboa. www.facebook.com/glorialivemusic. De 5.ª a sábado, das 22h30 às 04h00 - até 3 de Setembro. Reservas: 913596474. [o original Glória foi destacado na Fugas aqui]

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