Fugas - restaurantes e bares

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Um bar-restaurante (e uma casa de banho) que é um Mundo

Por Amanda Ribeiro

Depois da Casa de Pasto da Palmeira, do LSD e do Tripeiro, o power-duo Carlos Bravo e José Ribeiro juntou-se aos proprietários do The Gin House e The Royal Cocktail Club para apostar num formato que “fazia alguma falta no Porto”: um bar-restaurante.

Primeiro, há que pôr tudo em pratos limpos (expressão que ganha todo um outro significado ao saborear as iguarias deste espaço). O Mundo é um bar com restaurante. Não é um restaurante com bar. E nem é apenas um restaurante. Embora possa ser um ou outro, ou um e outro. Isso, juntamente com a majestosa casa de banho, diz muito sobre este local, que abriu em inícios de Julho na Rua da Picaria, no Porto.

Depois da Casa de Pasto da Palmeira, do LSD e do Tripeiro, o power-duo Carlos Bravo e José Ribeiro juntou-se aos proprietários do The Gin House e The Royal Cocktail Club para apostar num formato que, diz o primeiro, “fazia alguma falta no Porto”. Um bar-restaurante, como há por essa Europa fora, em que as pessoas tanto vão beber um copo, como desfrutar de uma refeição — e que refeição! Aqui, os dias começam às 18h, com música house e deep house que não está exageradamente alta, mas também não está baixa. Não é um mero som ambiente, tem importância: basta pensar que a partir das 20h a cabine situada acima da cozinha está sempre ocupada pelo DJ Emanuel. O alvo é o público entre os 35 e os 50 anos, para quem, considera o responsável, não há muita oferta nocturna: “Tenho notado que estas pessoas vão a um sítio e gostam de ficar — acontece no LSD. Já não vão a outros bares ou discotecas. Aqui, podem jantar e ficar na mesa a beber um cocktail.” Há muitos à escolha, dos clássicos aos de autor, assinados pelo barman Daniel Carvalho.

Quem passa na rua, ouve o que lá vai, entra e dá de caras com uma primeira área, com o bar à direita, e uma segunda, uma longa sala com quase 60 lugares sentados. Remodelado pelo arquitecto Francisco Mourão, o espaço, um entreposto de mercadorias do século XVIII noutra vida, uma serralharia numa mais recente, é marcadamente industrial. O metal está à mostra, a luz é baixa, com muitas velas a compor o ambiente pela noite dentro. Nas paredes, graffitis assinados por FEDOR mostram mulheres dos cinco continentes, uma referência ao mundo de palatos que cabe dentro do Mundo. A viagem é liderada pelo cúmplice João Pupo Lameiras, chef do RO e do Bacalhau, que já assume o desenho das cartas da Casa de Pasto da Palmeira e do LSD. Aqui, também como consultor, elaborou uma ementa, que vai mudar sazonalmente, inspirada numa mistura de sabores e técnicas sem fronteiras. Para já, o foco é a Ásia e a América do Sul, com uma piscadela de olho à Europa. Há quatro travessias para fazer, com uma longa lista de possíveis paragens. O “Mundo Frio”, com sugestões frescas, como uma salada de noodles de arroz, ervas e legumes com vinagrete thai (5 euros). O “Mundo na Mão”, com petiscos como dumplings e o (a)provadíssimo pavé de batata frito (5,50 euros). O “Mundo Maior (mas nem tanto)” apresenta pratos mais robustos, como o bife de picanha com abacaxi grelhado (14 euros) e o magret de pato com molho de pimenta preta e mel (12 euros), dois futuros “ex-líbris” do restaurante na opinião do chef Jorge D’Alte, o líder da cozinha. Por fim, o “Mundo Doce”, terra natal da pana cotta de chocolate branco (5,50 euros). Também há uma carta específica do bar, mais vocacionada para as sugestões finger food. E boas notícias para os noctívagos: à semana, a cozinha encerra às 23h30, ao fim-de-semana à 1h.

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