Desporto da floresta
Um dos lemas utilizados na promoção da modalidade tem sido o da orientação como "desporto da floresta". Porém, gradualmente, um outro se tem sobreposto, e a orientação é também designada como o "desporto da família". É possível ver entre os participantes famílias inteiras, pais a acompanhar filhos ou mães com bebés de colo.
Lado a lado com estes praticantes de ocasião, competem os atletas de elite, alguns verdadeiros pesos-pesados do ranking mundial. Foi assim no NAOM, como dias antes no Portugal O'Meeting (POM), a prova mais importante do calendário nacional, realizado na zona da Figueira da Foz. Cada vez mais, este desporto tem sido utilizado também como instrumento de atracção de turismo para Portugal. A data e proximidade dos dois eventos no calendário não é coincidência. Ainda mais com o atractivo extra de ambos terem provas pontuáveis para o ranking mundial.
"Nesta altura do ano não dá para competir nos países nórdicos", de onde provêm os melhores atletas de orientação, explica Fernando Costa, presidente do Grupo Desportivo dos 4 Caminhos, que organizou o NAOM. "Por isso, alguns dos melhores do mundo vêm para o sul da Europa", junta. Assim se compreende o número recorde de participantes e de atletas estrangeiros na prova do norte alentejano. Estamos no início de época e a preparação é importante. As duas provas em Portugal permitem juntar o útil (a possibilidade de treino) ao agradável (os pontos para o ranking). No total, foram mais de 1200 participantes, 580 deles estrangeiros, oriundos de 27 países.
Eva Jurenikova foi uma das que andou entre as casas baixas pintadas de branco e amarelo da vila do Crato. Esta orientista checa, 17.ª do ranking mundial e vencedora do NAOM em 2009, repetiu o triunfo este ano. Veio pela primeira vez a Portugal em 2000 e, desde então, tem sido presença assídua em provas nacionais. O ano passado esteve cá duas vezes, e este ano veio para POM e o NAOM, tendo ainda realizado um período de treinos de Inverno na região de Évora e Arraiolos. A cada regresso, tem visto "algum desenvolvimento, melhores mapas, melhores provas, melhores atletas", destaca. Na Suécia, onde vive, Eva Jurenikova não pode treinar por causa da neve. Pelo contrário, em Portugal, encontra terrenos com características variadas e "muito boas condições" para preparar a época.
Aos atletas de topo juntam-se praticantes veteranos, na maioria reformados. "Gostam da nossa comida, do vinho, e vêm para gozar a vida", aponta Fernando Costa. "A orientação tem muito a ver com turismo. O turismo desportivo é muito importante, e a orientação é das melhores modalidades" nesse aspecto, acrescenta. Para além das condições climatéricas amenas, Portugal tem para oferecer "bons mapas" e organizações que "têm melhorado muito". "Isso traz estrangeiros", conclui. O esforço para apresentar o melhor da natureza e dos monumentos da região foi evidente durante o NAOM. Exemplo maior foi a recepção que o município deu no cenário imponente do mosteiro de Flor da Rosa, que até incluiu sessão de fados.