Os atletas com deficiência motora também não ficam de fora. Com o intuito de os integrar surgiu a vertente da orientação de precisão, direccionada para atletas em cadeira de rodas e não só. "A grande virtude é que o seu formato permite que atletas com e sem deficiência motora compitam entre si em igualdade de circunstâncias, fruto de ser uma disciplina onde a componente física não está presente, sendo apenas avaliada a capacidade de leitura do mapa e do terreno", explica o presidente da FPO, António Rodrigues. Em 2011 será criada a Taça de Portugal de orientação de precisão. Já este ano, o POM contou com uma prova nesta vertente.
Para todos os gostos
"Um mapa, uma bússola e... muita aventura", resume um slogan da Federação. Para além da orientação pedestre, a modalidade pode contemplar outros elementos nesta equação. A crescer em número de adeptos, a orientação em BTT realiza-se, como se percebe, de bicicleta. As duas vertentes subdividem-se em distância longa, distância média, sprint e estafeta. O quadro competitivo inclui a Taça FPO (provas de cariz regional) e a Taça de Portugal (conjunto de 10/11 provas por ano), que atribui os títulos dos campeonatos nacionais.
Para quem esteja simplesmente interessado em passar um fim-de-semana diferente, ao ar livre, os orientistas mais experientes estão à espera de braços abertos. Na organização da grande maioria das provas há elementos que "servem de monitor e ensinam quem faz pela primeira vez", conta Joaquim Margarido. No esforço de divulgar a modalidade e cativar mais pessoas, o autor do blogue "Orientovar" tem já publicados dois livros de fotografia e crónicas dedicados ao NAOM. Um terceiro está a caminho, com as imagens da edição deste ano.
Dependendo da distância que tenha de se deslocar, o praticante de ocasião deverá contar com um investimento a rondar os 10 euros, incluindo inscrição, seguro desportivo, mapas e aluguer do chip. "Um valor simbólico se pensarmos no valor de um passeio na natureza", conclui.
Avançamos rapidamente para o último dia do NAOM. Para trás ficaram a prova inaugural e o sprint nocturno, corrida rápida realizada à noite nas ruas estreitas da vila do Crato. Nas ruas, alguns curiosos. A população começa a estar acostumada à invasão pacífica da "tribo" orientista, mas ainda há quem fique surpreendido. "Tanta gente e não vejo ninguém do Crato", admirava-se uma espectadora local. Também já lá vão o banquete e os fados no mosteiro de Flor da Rosa, e a última prova terminou há algum tempo. Alguns já vão arrumando a mochila, enquanto na tenda "comezainas" se dá de comer aos retardatários.
A uma mesa, recordam-se histórias de provas passadas, comenta-se a dificuldade de uns mapas e a facilidade de outros. Contam-se peripécias da prova, enganos, alguém que se perdeu na primeira vez que fez orientação mas nem assim se negou a voltar uma e outra vez. Recordam-se paisagens idílicas, pedras de formas curiosas, a forma como a luz do sol penetrava por entre as folhas e se reflectia no riacho.
O ambiente é de fim de festa, e também familiar ao ponto de quem trata das "comezainas" ficar aflito porque se acaba a sopa quando ainda há atletas a chegar. "O tempo ajudou", comenta alguém. Fazem-se as despedidas, com abraços, palmadas nas costas e desejos de boa viagem. E fica encontro marcado para a próxima prova. Ou, se não for mais cedo, no mesmo sítio daqui a um ano.