Multimedia
Mais
Estatísticas
330 leitores
1 comentários
Relacionados
Tudo isto existe, tudo isto é Douro, tudo isto é mundo
Preparem o púlpito. E agora silêncio, por favor, que se vai contar o Douro.
Não estamos a brincar: há um púlpito que nos acompanha ao longo de um fim-de-semana que começa à mesa do jantar, na sexta-feira, e termina com jazz pouco depois do almoço de domingo. Pelo meio, Douro no copo, nos olhos, na alma - que é, dizem-nos do púlpito, onde ele mais se sente.
A 14 de Dezembro de 2001 houve festa rija no Douro, com foguetes e brindes com vinho do Porto. Na noite anterior, o então secretário de Estado adjunto da ministra do Planeamento, Ricardo Magalhães, quase não conseguiu dormir. Era praticamente certo que a UNESCO classificaria esta paisagem construída a suor e lágrimas como Património da Humanidade (Paisagem Cultural, Evolutiva e Viva) mas ainda havia uma pontinha de dúvida. Hoje temo-lo aqui, à mesa no Castas e Pratos, na Régua, às voltas com um risotto de cogumelos e uma posta de vitela duriense, um copo de 100 Hectares Tinto Reserva 2010 e um sorriso de orelha a orelha. Estamos na região para comemorar 10 anos de um Douro que pertence ao mundo e não há senão motivos para sorrir.
Será?
É o que vamos ver durante estes quase dois dias - o Douro trouxe-nos ao Douro para tirarmos a prova dos nove (seria mais correcto dizermos a prova dos dez, destes dez anos pós declaração da UNESCO, mas não queremos desvirtuar o teste de validade do cálculo manual). Connosco veio um púlpito que se transporta de cenário para cenário dentro de uma caixa de papelão e um relógio para lembrar os que cá estão que têm cinco minutos, cinco, para falar desta região que é, orgulhosamente, parte do "reino maravilhoso" de Miguel Torga.
Os organizadores deste fim-de-semana O mundo no Douro chamaram a esta performance Take 5; as 15 intervenções de cinco minutos feitas ao longo do fim-de-semana foram compiladas numa espécie de documentário que servirá (também) para assinalar os dez anos do Douro Património da Humanidade - com um programa que arranca no próximo dia 14 e se manterá até meados de 2012.
Agora sim, silêncio, que nós vamos contar o Douro. Não em cinco minutos: temos alguns privilégios, calhou-nos um tempo moderato.
Uma região paradoxal
Acordamos no sábado antes das 8h, mais cedo que o combinado com o despertador. Corremos as cortinas e vemos o Douro vestido de Outono, matizes prováveis de amarelos, castanhos, vermelhos. Não foi à toa que ficámos alojados no Aquapura Douro Valley, uma das referências da região no que à hotelaria diz respeito. É um ambiente de puro luxo rodeado de Douro por todos os lados: é verdade que dispensávamos alguns daqueles prédios mais feios da Régua, mas o que dizer das vistas de rio e de vinhas em socalcos?
Uma neblina enfeita as encostas à nossa volta, uma amostra de sol espreita entre as nuvens. Disseram-nos ontem, ao jantar, que o Douro é mais bonito no Outono e queremos ver se é verdade. Estamos na EN 222, a caminho da Quinta do Seixo - "seguramente um dos melhores enoturismos da região", apregoa António José Teixeira, presidente da Associação dos Empresários Turísticos do Douro e Trás-os-Montes e da Rota do Vinho do Porto.