Fugas - Viagens

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Somos todos eurodeputados na sala de visitas da Europa

Estes brinquedos audiovisuais são do mais original e sedutor que até hoje se inventou no ramo das tecnologias de comunicação. Se fossem aplicados a um tópico mais popular, o Parlamentarium seria certamente um parque de diversões, porventura na linha do Futuroscope em Poitiers (França). Em contrapartida, este novo centro concebido para Bruxelas pelo atelier alemão Bruckner (museu BMW, em Munique) consegue o milagre de tornar um assunto para muita gente tão agreste quanto o funcionamento do Parlamento Europeu em algo interessante, por vezes mesmo empolgante.

Um exemplo privilegiado é a Projecção do Hemiciclo a 360º. Os visitantes são convidados a sentar-se no centro de um gigantesco ecrã digital de 360 graus, onde durante uns dez minutos vão sendo projectadas imagens de debates e de votações de sessões plenárias. Tudo se passa como numa projecção Imax, capaz de induzir no espectador a sensação de passar para o outro lado do ecrã, o que neste caso significa vestir a pele dos eurodeputados e participar dos trabalhos parlamentares.

Tão ou mais estimulante é o Jogo de Representação para jovens em idade escolar. Temas delicados, como tomar decisões perante uma situação de cheia ou de tremor de terra, ou debates desses que afectam toda a gente, como o preço dos medicamentos ou a idade da reforma, são lançados aos participantes, que assumem a pele de eurodeputados. Os jogadores entram a partir daí numa roda-viva de contactos e negociações, enfrentam súbitas mudanças de rumo dos acontecimentos e uma chuva de opiniões interesses divergentes. Acabam por tomar posição em matérias que antes pouco lhe interessaram e a defender acaloradamente posições, como se a sua vida dependesse disso - e, na verdade, às vezes depende mesmo.

Outra atracção menos frenética, mas que vale imenso a pena, chama-se Pessoas de Toda a Europa. Aí os visitantes podem ouvir 54 relatos de europeus sobre a sua experiência de integração, isto num ambiente de lounge audiovisual.

Já outras aplicações parecem ser menos conseguidas, como a Viagem Virtual pela Europa, centrado num mapa da Europa de 200 metros quadrados com mais de 90 pontos interactivos, guias multimédia e uma instalação de luz a três dimensões, suspensa do tecto. Aqui há tantas coisas a faiscar ao mesmo tempo e a distrair a atenção do visitante que, às tantas, este já deve ver mais estrelas que as da bandeira europeia.

Da Bruxelas burguesa ao Bairro Europeu

Se a finalidade principal é explicar o Parlamento aos europeus, pelo caminho o Parlamentarium também quer ajudar a arrancar outro espinho cravado na imagem da União - essa espécie de depressão urbana causada pela concentração de instituições comunitárias no chamado Bairro Europeu de Bruxelas. Quando há sessões de trabalho no Parlamento e demais sedes europeias ainda se vê gente (de fora) a circular nas ruas, sobretudo nos cafés e restaurantes em redor da antiga Estação do Luxemburgo. De resto, aos fins-de-semana, não se vê vivalma nos quarteirões europeus.

O Parlamentarium, aberto todos os dias da semana, deverá chamar gente ao Bairro Europeu e, em simultâneo, revalorizar os tesouros que persistem em redor, ofuscados marginalizados por dois núcleos de sedes comunitárias. Vieram roubar espaço ao que era uma das vizinhanças mais aprazíveis da capital belga, o Bairro Leópold, estância de veraneio no século XVIII e área residencial burguesa em meados do século seguinte. Desta época data igualmente o frondoso Parque Léopold e um colar de praças elegantes (Marie-Louise, Ambriorix, Marguerite), emoldurados por um precioso conjunto de edifícios de habitação.

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