Fugas - Viagens

  • Linha Imperial
    Linha Imperial DR
  • O DC3 restaurado em exibição no Museu do Ar
    O DC3 restaurado em exibição no Museu do Ar Enric Vives-Rubio
  • O DC3 restaurado em exibição no Museu do Ar
    O DC3 restaurado em exibição no Museu do Ar Enric Vives-Rubio
  • Linha Imperial
    Linha Imperial DR
  • Um velho cartaz TAP
    Um velho cartaz TAP DR

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Nos 70 anos da TAP, também voamos pela história em terra

Curiosos são também os serviços de refeições usados. Do plástico das classes económicas às porcelanas e vidros para as superiores. Até barro: tempos houve em que o caldo verde era servido na sua tradicional malga, assim como até o frango na púcara tinha direito ao seu recipiente vermelhinho com o nome da especialidade em letras branquinhas. Ou aquele serviço em alpaca, uma liga de prata, para as linhas de África, que incluía conjunto para servir caviar.

No hangar museológico, admiramos maquetas. “São muito delicadas e estragam-se com facilidade, ou vêm com uma janelinha mal colocada. Mas os modelistas e voluntários dedicam-se com ‘paixão’ a restaurar e solucionar tudo”, explica a responsável.

Pelas paredes, toda a história da TAP é lembrada. E há momentos emocionantes (não) perdidos no tempo. Como a foto do Almirante Gago Coutinho, o homem que com Sacadura Cabral fez a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, em 1922, sentado num avião moderno durante uma viagem experimental pré-estreia da rota Lisboa-Rio. Tinha 86 anos. “Já muito velhinho, foi convidado como consultor técnico, era uma viagem experimental e ainda foi fazendo cálculos…”

Enquanto nos distraímos na história, Adelina continua a trabalhar na finalização da mostra A Linha Imperial - uma ponte entre a Europa e África. “Era uma aventura”, resume. Imagine-se um voo de 24.540km, em 12 escalas, num destes DC3 que estão a restaurar à nossa frente. Materiais históricos ajudam-nos a perceber melhor este milagre aéreo, intrinsecamente ligado à história do país. Ali vemos o relatório de viagem do serviço inaugural ou talões de embarque (um dá conta do pagamento de quase 30 contos por passagens). E veja-se o horário: na quarta-feira às 14h saía de Lisboa, na terça às 18h aterrava em Lourenço Marques. Foi você que pediu uma volta a África? Ia parando, Marrocos, Senegal, Gana, Gabão, Luanda (sendo algumas paragens apenas técnicas)… Até Maputo, ainda haveria paragens no Congo ou Zimbabué. O preço total do voo de Portugal a Moçambique não era low cost: 14.470 escudos ($9,607 para Luanda) — e como mandava a tradição então, lê-se, estas tarifas eram “oneradas por taxas de aeroporto e imposto do sêlo”.

O avião da história

“Isto é tudo muito bonito. Mas se não houvesse o grupo de voluntários não havia avião restaurado nem havia festa”, lembra Adelina.

É que o avião no centro deste mundo, o Douglas DC3, C3-TDE, é a menina do olho da celebração e foi restaurado graças ao trabalho árduo de quase duas centenas de voluntários e à iniciativa do comandante Carlos Tomás, na TAP desde 2001, que coordena a equipa de recuperação do Dakota. É “o homem do avião”, dizem-nos. A “paixão” chegou a tal ponto que o grupo criou uma associação a partir do projecto, o Vintage AeroClub. Em redor do avião, os voluntários ultimam os trabalhos e sente-se ainda o cheiro das tintas que ajudam a devolver ao aparelho o exacto aspecto que teria um exemplar igual que voasse na Linha Imperial.

Este aparelho em específico nunca voou comercialmente na TAP mas teve uma grande vida: bateu-se pelos Aliados na Segunda Guerra Mundial (Carlos sonha trazer cá se não quem o usou pelo menos familiares desses militares), passou pela Aer Lingus e Israel e chegou à Direcção-Geral de Aviação Civil, que o passaria à TAP para funções paralelas, como voos técnicos e de treino. Nos anos 1980 foi para o museu.

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