Fugas - restaurantes e bares

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Monte Mar

Por David Lopes Ramos ,

Quem tem o mar do Guincho como enquadramento- como é o caso deste restaurante Monte Mar, um dos mais antigos e mais bem situados da zona - só tem que ter um serviço e uma cozinha competentes a ajudar. Como é o caso. Não é nada de nos fazer cortar a respiração.
Para isso é suficiente o mar deste trecho da costa portuguesa, um dos mais belos, quando se decide fazer explodir as ondas em catadupas de espuma branca contra as rochas.

Quanto à cozinha, ela é bastante datada - "amêijoas à Bulhão Pato", "bacalhau assado com batatas a murro", "supremos de pescada à delícia", "cherne à grenoblesa", "foie gras", "peito de pato à Monte Mar", "perdiz à cafreal", por exemplo - mas há sempre a possibilidade de escolher mariscos e peixes do mar de frescura imaculada, cozidos ao natural, assados no sal ou grelhados.

Sala de jantar bem iluminada aos almoços e, à noite, de luz mais velada, a distância das mesas, bem atoalhadas, permite alguma intimidade. O "couvert" - pão torrado e saloio às fatias, pacotinho de manteiga, azeitonas temperadas com alho, "mousse" de fígados de galinha bem feita -, cinco euros, funciona como entretém-de-boca, sobretudo dando-lhe a companhia do pratinho de bom presunto "pata negra" (oito euros), que também é colocado na mesa.

Depois, as gambas de Cascais, servidas mornas temperadas com sal grosso (27 euros, 300 gramas), constituem um bom começo de refeição, ou mesmo a salada de lagosta (35 euros), com a alface em juliana, e fatias finíssimas, e escassas, do crustáceo de boa estirpe a animar o conjunto, ou ainda as ostras cruas. Estas últimas podem ser acompanhadas com o branco da Casa de Saima 2000 (11 euros) que, pela sua secura e acidez elevada, é um dos vinhos portugueses que melhor se adequa à maresia e adstringência deste delicioso bivalve.

Mas os filetes de pescada com arroz de berbigão (18 euros) - um dos pratos históricos do Monte Mar -, também se sentem bem na companhia deste belo branco bairradino. Filetes de pescada fresca bem cortados, bem temperados, bem encasacados em fino polme, fritos com competência, dão-se a conhecer aos dentes, o que também acontece com o arroz de berbigão, seco, que poderia ser comido bago a bago, se a fantasia para aí nos puxasse. Os filetes de cherne à grenoblesa (20 euros), igualmente muito bem cortados e temperados, são fritos em manteiga, encimados por um desenjoativo montinho de alcaparras, na companhia de batatinhas e um montinho de grelos cozidos (três euros, um exagero), remete-nos para uma cozinha antiga, mas saborosa. Um Calços da Tanha branco de 2001 (13 euros) também gostou do cherne e foi por ele apreciado, por ser frutado, fresco e equilibrado.

O peito de pato à Monte Mar (17 euros), excessivamente passado, é que não deixou saudades. Foi claramente batido pela meia garrafa do tinto Duas Quintas (11 euros), colheita de 1999, que se apresentou em muito boa forma. O "apfel strudel" (cinco euros) com uma bola de gelado de Santini de baunilha (três euros), os crepes Monte Mar (sete euros), o toucinho-do-céu ou a "mousse" de avelã (cinco euros cada) cumpriram, com galhardia, o seu papel de doces de sobremesa.

A carta de vinhos, infelizmente sem data das colheitas, permite algumas escolhas interessantes. O serviço de mesa é prestável nas informações, atento às necessidades e discreto. Vê-se que é gente com muitos anos de experiência e que não dá hipóteses ao desmazelo.

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