Quando chegámos, Bernardo Reino, com a aura dos que parecem de bem com a vida, terminava um montinho de lagostins, que acompanhara com vinho branco. Logo a seguir a um nico de saladinha tépida de atum - um saboroso entretém-de-boca -, chegaram-nos à mesa quatro lagostins (16,80 euros; 84 euros/kg), um por cabeça, daqueles médios, a cheirar a mar, cozidos no ponto, uma delícia; seguiram-se quatro lingueirões (16,50/dose) de cebolada e tomate com um toque de picante mais uma dose de amêijoas (17,50 euros/dose) à Bulhão Pato igualmente com piri-piri (do meu ponto de vista dispensável), de boa qualidade e confecção correcta, uns e outras cobrados como entrada (18 euros); e uma "salada pequena" de tomate, cebola, orégãos, mais tempero de azeite, vinagre e sal grosso, à algarvia, muito bem (3,50 euros).
O peixe, por sugestão de Bernardo Reino, foi um rabo de pargo real, que foi escalado para grelhar, e duas "aletas" do mesmo peixe (83.20 euros; não consegui apurar o preço do quilo), servido com batata cozida com a pele, feijão verde cozido e arroz de alho. Fresco, gordo, suculento do tratamento competente sobre as brasas, o pargo real dispensava o molho espesso de manteiga de alho que o cobria. Se o molho for servido à parte, quem quiser prejudicar o aroma e o sabor do peixe, que o faça à sua vontade. Este parece-me um aspecto a merecer a intervenção de Bernardo Reino, que tem fama de "bico fino", se define a si próprio como "apologista da nossa cozinha" e que no seu restaurante da Quinta do Lago serve apenas "o que o mercado dá". O rosé da Covela foi-nos cobrado a 17 euros a garrafa. O "couvert", de que me lembro dos pãesinhos de trigo escuro muito bons, custa 1,5 euros/pessoa.
Na ementa do Gigi, além do nomeado, corvina, linguados, douradas e robalos do mar (a 59 euros/kg), salmonetes, lagostas (100 euros/kg), lavagantes (98 euros/kg), carabineiros. Disponível ainda uma salada de peixe (13 euros) e, para quem defende que "peixe não puxa carroça", picanha (25 euros/duas pessoas). Noutros dias, como é normal em lugares que vivem do que dá o mercado, há outros peixes. Sempre do mar.
Um dia, uma cliente habitual do Gigi - jornalista conhecida e muito influente - disse-me que tinha de lá ir, porque "no Gigi se come o melhor peixe grelhado do mundo". Não é verdade. Conheço uma série de lugares onde a qualidade dos grelhados não fica nada a dever aos do apoio da praia da Quinta do Lago, no Algarve. Mas não é Gigi quem quer.
- Nome
- O Gigi
- Local
- Loulé, Almancil, Av. André Jordan - Quinta do Lago
- Telefone
- 964045178
- Horarios
- Todos os dias das 12:30 às 16:30
- Preço
- 30€
- Cozinha
- Peixe e Marisco
- Espaço para fumadores
- Sim