No Porto, a vida da casa mãe é longa e sortida. Abriu em 1974, teve altos e baixos, andava já tão desanimado com a idade que acabou por fechar. Em 2006, reabriu com pompa pelas mãos de Batata Cerqueira Gomes e outros sócios tornando-se um bar-discoteca de topo, referência para a noite da alta-roda portuense. Dois anos depois, o Twin"s desce a Lisboa à conquista dos alfacinhas, abrindo há exactamente um mês (com supervisão de Eduardo Carvalho da Silva, também ligado a outro projecto exclusivo, o Silk) em Alcântara num espaço, também ele, com muita história noctívaga para contar - já foi Banana Power, alegria dos anos 80 para muitos, e depois Café Café e Bastidores, alegria para os fãs de Herman José.
O gémeo alfacinha do Twin"s Porto é mesmo uma réplica, mostrando e oferecendo o mesmo que faz a fama da casa portuense. Até porque, explica Cerqueira Gomes, a ideia passa por levar a Lisboa "o clima do Porto", "a unicidade" do espaço portuense e, para mais, a abertura na capital também se deve aos muitos clientes do Norte que pediam mais do mesmo a sul. E parece que tinham razão: a casa anda cheia e frequentada por a quem se dirige e, diz o "pai" da casa, "o "feedback" é brutal. Estamos muito contentes com o primeiro mês". Tal como na Invicta, é área demarcada para elites. Mas este "elites" não é termo que agrade particularmente a Cerqueira Gomes: "infelizmente tenho de dizer que é um espaço de elite porque estamos num país do vale-tudo", mas "haverá muita gente com dinheiro que não tem direito a entrar no Twin"s como haverá muita gente humilde que tem esse direito". Ora bem, para já, o que se vê num sábado à noite? Uma certa elite (de dinheiros, poderes e famas), aqui e ali um certo tom aristocrata ou à revista Caras, além um jeito mais rebelde e, claro, não podiam faltar betinhos, tias(os) e sobrinhas(os), aspirantes a qualquer um destes segmentos e o que mais vier, desde que socialmente correcto e de comportamento e visual à medida.
Repartido por dois pisos amplos, a casa é marcada por uma decoração sóbria (tal como no Porto, de Paulo Lobo) em que são contrastados tons escuros acolhedores com a efusão prata de espelhos e transparências e a luminosidade dourada dos muitos serviços de bar. Curiosamente, ou talvez não, consegue um equilíbrio harmonioso e sem grande agressão espelhar por aí além (tirando a quem tem horror a ver vezes demais o seu próprio reflexo). Não há melhor prova de que o projecto está bem preparado para receber a quem se dirige que a própria clientela: o estar, estilos, padrões e cores dos vestuários parecem fazer "pendant" com o espaço.
As noites do Twin"s LX dividem-se em duas: quartas e quintas mais calmas e só com bar, sextas e sábados já a rebentar pelas costuras e com direito a discoteca. Por inerência, a entrada é selecta (logo, não fácil, até porque pode haver muita concorrência à porta). Pode encaminhar-se logo para a pista em caso de estar à disposição ou seguir para o piso superior, um amplo salão de visitas em espaço aberto: sobem-se uns degraus almofadados - tal como todo o piso em alcatifa sedosa e realmente fofa-fofa - ladeados por uma linha de espelhos que avisam logo que por aqui é factor essencial ver-e-ser-visto, numa permanente reflexão social.
- Nome
- Twin's LX
- Local
- Lisboa, Lisboa, R. de Cascais, 57
- Telefone
- 213610310
- Horarios
- Quarta-feira e Quinta-feira das 22:00 às 04:00
Sexta e Sábado das 22:00 às 06:00
- Website
- http://www.twins.pt