Quem procura a Geraldine, tem logo a primeira surpresa. Como não é rapariga para viver de porta aberta a quem passa na rua, vive, recatada, num primeiro andar da Travessa da Glória: há que tocar à campainha, subir o lance de escadas e ser bem recebido à porta do apartamento. E, sublinhe-se, apartamento é literal: a casa divide-se numas cinco assoalhadas e mais uns recantozitos, tudo em cores quentes e decoração retro (a Geraldine tem particular queda pelas décadas de 50 a 70), com sala de estar acolhedora, cozinha artilhada, sala de jantar e bar, salas-lojas (de malas, roupa e acessórios)...
Se já anda a passear pela casa, terá à partida sido recebido pela Liz Vahia, ligada à produção de filmes e artes, pelo Eduardo Duarte, ligado ao restauro, ou pela Sara Santos, artista plástica; isto é, os três proprietários - é que, infelizmente, a Geraldine não pode receber ninguém, é apenas, digamos, personagem, o nome, de que se adivinha corpo, que baptiza o abrangente conceito deste espaço versátil, tão surpreendente quanto familiar. O nome, na verdade, veio de uma placa que Eduardo encontrou numa roulotte no meio de um campo de morangos em Inglaterra - e ele estava certo, e com razão, de que um dia a Geraldine "ia ser alguém".
Se para alguns a Geraldine da Glória será uma novidade, para outros nem tanto. É que antes morava num r/c dos Anjos, uma grande loja em espaço aberto mas já com conceito de lar. Por ali, desde a abertura em 2008, houve concertos, conversas, filmes, festas. Mas a Geraldine estava desejosa de ter um lugar mais central na urbe e não descansou enquanto não encontrou este apartamento bem aprumado - e que parece ter nascido para a acolher -, junto à Avenida da Liberdade.
Desde Setembro, tem vindo a desenvolver-se não só como um dos mais singulares bares da cidade mas também como verdadeira plataforma de artes, incluindo gastronómicas, além de espaço de venda de peças de roupa ou mobiliário (e também de aluguer das mesmas, já que fornece produções de filmes e afins, além de poder servir também de cenário).
Quem só vem beber um copo ou saborear as comidas, embalado por uma banda sonora ecléctica, arqueológica e escolhida a dedo, pode sentir de imediato nostalgias da casa de uma avó ou de uma tia. E até haverá algumas pessoas que, à primeira, se poderão sentir algo desconfortáveis, como que a trespassar território alheio. Liz, nossa cicerone pela casa, diz que já reparou que isso acontece com alguns visitantes. Mas a sensação passa depressa. "Tentamos fazer as pessoas sentirem-se em casa, explicamos o espaço, o que fazemos aqui", conta.
O apartamento era antes um escritório (o prédio dedica-se todo a isso, o que permite não chatear vizinhos à noite) mas caiu que nem ginjas à vida e traça da Geraldine. Após algumas obras de restauro, renasceu em esplendor casa familiar de há umas boas décadas atrás, recheada de mobiliário e peças vintage.
Não faltam peças para admirar (e algumas para usar), de grandes e velhos sofás a cadeiras e cadeirões, rádios e televisores dos tempos de um só canal ou projectores super-8, armários e toucadores, mesas e mesinhas, tudo conjugado em coerência lar feliz. Há ainda a colecção de roupa vintage ou malas, de jogos, livros e revistas de outros tempos (da Vida Mundial a uma absorvente e encardenada colecção de uma lendária fotonovela, a Simplesmente Maria) e, claro, dezenas de objectos e detalhes surpreendentes para ir descobrindo.
- Nome
- Geraldine
- Local
- Lisboa, Anjos, Trav. da Glória, 18-1º
- Telefone
- 211912608
- Horarios
- Segunda a Quinta das 12:00 às 22:00
Sexta das 12:00 às 02:00
Sábado das 18:00 às 02:00
- Website
- http://geraldine-lisboa.com