Foi um "parto difícil", este do V5, conta Pedro Santos, o mentor e proprietário. A ideia tem dois anos, esteve para abrir em Dezembro de 2008, porém, complicações no outro bar de Pedro (o Pherrugem, de que é co-proprietário) foi adiando, adiando, até sexta-feira 13 de Novembro do ano passado. Outra noite chuvosa, em que os primeiros clientes do V5 tiveram oportunidade de "brincar" com o objecto que dá nome à casa: uma moto SIS Sachs V5 - agora está pendurada, num canto, nesse dia andava à solta, aliás, só tinha chegado dois dias antes, para desespero de Pedro. Não há qualquer fetiche com a mota - foi o nome que apareceu depois de muito brainstorming entre amigos - e o certo é que não é sequer o único meio de transporte em "exibição". O que salta mais à vista, aliás, é um Riley de 69 que "sai" da parede da sala principal. É só a parte dianteira e faz as vezes de cabine de som. "Sabia que queria algo de diferente, o carro até foi a primeira ideia que surgiu". Tinha apenas de ser "um clássico".
Hoje, lá está o Riley, com os faróis a piscar, mas sem ninguém ao volante. A música passa continuamente, mas é no andar inferior que se concentram as atenções. Na sala-palco do V5, Slimmy prepara-se para o concerto de apresentação do novo álbum. A entrada são cinco euros para quem vai assistir ao concerto, quem fica apenas cá por cima não paga entrada nem consumo obrigatório. E o andar de baixo só abre para "eventos", que é como quem diz, concertos. Por enquanto, foram apenas três, mas esta é uma área a explorar. Bastante. "A ideia é ter um clube de música ", explica Pedro, "mas a música ao vivo tem de ser um extra. Não faz uma casa". O que faz uma casa é "o bom serviço de bar, o bom ambiente de bar", e é essa parte que está a aperfeiçoar. "Depois, mando-me a cem por cento para o piso de baixo". Não é um discípulo, mas o Hard Club é um exemplo a seguir, sobretudo pelo carisma.
E, talvez, arriscamos, pela filosofia, que o espaço lhe permitiu concretizar. Já o conhecia, o espaço, há 15 anos, quando era outro bar, Padaria (o nome não era à toa, originalmente o espaço era uma padaria e os fornos estão lá, em espaço reservado, para o provar). Lembrava-se vagamente da estrutura e quando o sinal "aluga-se" apareceu, viu que era o ideal para o seu projecto: dois andares a funcionarem autonomamente. Com música. Muita música, ao vivo em baixo, com DJ em cima. Há interditos assumidos - "nunca irei ter techno e hip-hop, pelo menos de forma vincada" - de resto, atendendo às palavras de Pedro, há espaço para tudo. "Funk, new wave, hits dos anos 80, 60, 90, indie, garage, grunge...". E rock. "Tenho de viver com o rock", brinca, referindo-se também ao Pherrugem, conhecido por esta sonoridade, apesar de no início a ideia fosse ter um som mais alternativo. "Mas aqui quero variar mais, desligar um pouco do "Pherrugem". Por isso, as noites com "temas"; por isso, e isto foi surpresa, o fado. Variar, "variar bastante" parece ser o lema, para surpreender o público - do "funk assumidíssimo ao rock". "Não sei se é a melhor estratégia, mas gosto de fazer o que sinto".
- Nome
- V5
- Local
- Porto, Porto, Rua Mártires da Liberdade, 216/218
- Telefone
- 918256382
- Horarios
- Terça a Sábado das 22:00 às 04:00
- Website
- http://www.myspace.com/vcincobar