Fugas - restaurantes e bares

Paulo Pimenta

Que vá tudo para o Inferno

Por Andreia Marques Pereira ,

A inauguração foi incendiária, mas não se esperava menos - e não foi às cinco para a meia-noite, mas andou perto (23h58 ou 23h59, as opiniões dividem-se). Fernando Alvim "regressou" ao Porto e abriu as portas do seu Inferno, o novo bar das Galerias Lumière, que ele quer que seja um ponto de encontro para tudo (e todos).
Que vá tudo para o Inferno

Não é exactamente uma "auto-estrada" mas o destino é mesmo o Inferno. O Inferno tal como é imaginado pelo mentor. Ou quase. "Gostava mais que estivesse à minha espera a selecção de voleibol feminino da Polónia com trajes diminutos, mas se não for possível...". Se não for possível, que o inferno seja como o Inferno, o bar que Fernando Alvim - esse mesmo, o que vimos na televisão no Curto-Circuito, Perfeito Anormal e 5 Para a Meia-Noite, entre outros, e continuamos a ouvir na rádio na Prova Oral - abriu recentemente no Porto. "Acho graça ao inferno, porque sinto que mais cedo ou mais tarde é para lá que vou. Achei que devia antecipar essa viagem. Que deveria ter o meu inferno antes de me entregar ao outro.

O inferno somos nós". E o Inferno de Fernando Alvim é nas Galerias Lumière - se podia ser noutro sítio? Podia, no antigo estádio do Salgueiros, "mas tudo indica que já estão ali a construir um moderno empreendimento". "O que me deixou muito infeliz", confessa Fernando Alvim - esse espaço singular que quer ser condomínio boémio, e, diz-nos quem lá esteve, a inauguração foi incendiária. Literalmente. Os corrimões do primeiro andar do centro comercial, onde o Inferno espreita num canto, pegaram fogo que alastrou às mesas e balcão. Controladíssimo, bem se vê. E tudo ao som de banda sonora temática - sim, não faltou a Highway to Hell e os GNR, desejando que "tudo o mais vá pró inferno".

Cá estamos, umas semanas depois, no Inferno. É um dia de semana e o Inferno está deserto - ou quase. É a partir de quinta-feira que tudo aquece, e o "inferno" são as Galerias Lumière com centenas de pessoas apinhadas na maior (?) pista de dança da cidade e, nessa altura, os bares que aqui já se instalaram, são os "balcões" da improvisada discoteca. Numa terça-feira à noite, os bares são os bares de um tristonho centro comercial. E o Inferno é um pequeno farol de luz amarela com reflexos avermelhados, do papel que esconde algumas paredes, desenho retro de cornucópias douradas esbatidas, da tinta que cobre as restantes. Hoje não é, definitivamente, o que Fernando Alvim pretende que seja - e que nos dirá, uns dias depois, numa conversa (em delay) por Messenger (a sugestão parte dele, que já há muito a adoptou para fazer as suas próprias entrevistas), uma vez que as suas vindas ao Porto são escassas (e rápidas): um ponto de encontro para tudo. "Gostava que ali se encontrassem bons amigos, mas também a mãe que não vê o filho há 20 anos, o avô que nunca viu o neto e ali o irá encontrar, a mãe que nunca conheceu o seu filho". Pausa (imaginamos). "Enfim, só de falar nisto já estou em lágrimas". E, de novo, a esperança. "Gostava sinceramente que o mundo inteiro se encontrasse no Inferno. Com ou sem Fátima Lopes". Não consta que Fátima Lopes por lá tenha circulado. Nem que os encontros sejam muito emotivos mas, pelo sim pelo não, aconselha Fernando Alvim, "levem sempre lenços de papel".

Encontro garantido para quem entra no pequeno Inferno é com os dragões, mais burlescos do que ameaçadores, os elementos mais icónicos da decoração, da responsabilidade de Ana Sofia Rodrigues, que deu forma à linguagem e ideias de Fernando Alvim (com um talento muito superior, garante). Verdes, com lunetas, os dragões parecem popups saídos das páginas de um livro de banda desenhada, pairando sobre o espaço exíguo. Um, claro, lança labaredas para um "paraíso" azul polvilhado de nuvens - e habitado por garrafas de vinho. O vinho está no paraíso, mas é para o inferno que quer ir. "Leva-me!", "Socorro!", "Quero sair contigo!" ouvimo-lo (lemos) gritar. Neste Inferno, o vinho é o anjo que quer "cair" e, por isso, o protagonista. A ideia é introduzir um novo conceito de bar, o wine bar, que em Portugal parece ainda não ter encontrado o caminho certo para a popularidade (apesar de as estatísticas revelarem que somos gregos e romanos, devotos de Dionísio e Baco).

Nome
Inferno
Local
Porto, Porto, R. José Falcão, 157
Telefone
966008185
Horarios
Segunda a Quinta das 19:00 às 02:00
Sexta e Sábado das 19:00 às 04:00
Website
http://www.infernoinfernoinferno.blogspot.com
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