Fugas - restaurantes e bares

Paulo Pimenta

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Que vá tudo para o Inferno

"Quero que seja um bar onde se possa beber um bom vinho, bons espumantes a acompanhar com queijos e coisas assim", explica Fernando Alvim. E se atentarmos nas palavras de Patrícia Barbosa (com ela descobrimos que o "inferno" tem bartender), o vinho é mesmo uma bebida "infernal": é a que tem mais procura - ao copo ao fim-de-semana, à garrafa à semana -, mas com concorrência apertada. Não da cerveja, mas dos flutes (são de plástico, mas não menos flutes) de champanhe, talvez, aventa, "pelo facto de ser diferente". Mais diferente.

O vinho, portanto, como força motriz do inferno de Fernando Alvim, e como símbolo identitário. É que este Inferno é, antes de mais, o inferno das Galerias Lumière, um projecto colectivo que leva a sério o espírito de colectividade - a animação é comum, por exemplo. E esse é um dos factores que atraiu Fernando Alvim. "Não tem graça dançar sozinho, gosto do colectivo, de ir pedir um raminho de salsa ao vizinho do lado", explica. "E é isso que fazemos ali. Somos um grupo de pessoas a tentar dinamizar um espaço que nos parece válido. E acho que é mesmo". Antes, já tinha tido um bar, "que foi um verdadeiro fiasco, o que é desde logo um bom prenúncio para este". "Normalmente, quando um corre mal, o que vem a seguir é que corre bem. Por exemplo, se tivesse corrido bem a minha primeira experiência, nunca teria aberto outro. Nem pensar". E sobre o primeiro bar, nem mais uma palavra. "Porque fico triste e ainda me ponho para aqui a chorar. Morreu, pronto. Acabou-se. E eu não sou nada saudosista".

Sem ser saudosista, o Inferno é quase um regresso "a casa" (além, como já vimos, de um "ensaio" para o porvir). "Porque sou do Porto e tenho uma amante muito perto do local onde agora abri o meu estabelecimento nocturno. E foi no antigo cinema Lumiére que vi o que de melhor fez a cinematografia francesa nos anos 80". Agora são outros os "filmes" que Fernando Alvim gostaria de ver como "uma referência para gerações e gerações". Mas sem esquecer, como sê lê no blogue do bar, que se "o céu é para todos", "o inferno é só para alguns".

Referências

O "Bairro Alto" do Porto
"Desde o Twins ao Paju, a mítica Indústria e as noites "It''s amazing!", Praia da Luz, Bela Cruz", a noite portuense não é estranha a Fernando Alvim. Agora o seu roteiro noctívago inclui também a zona da Baixa - "finalmente, o Porto tem o seu Bairro Alto" - e ele próprio está ali inscrito. Já havia sido convidado para sócio do Galerias de Paris e à segunda aceitou o convite de José Albuquerque (também o mentor destas Galerias Lumière). "Foi dele a ideia de me convidar para formarmos um bar em conjunto", recorda. "A partir daí, deu-me toda a liberdade para criar algo minimamente original. Acho que o teremos conseguido". A prova de fogo serão as noites temáticas que o Inferno irá propor para animar o espaço da "colectividade" (onde à quarta-feira, por exemplo, se canta fado, e o Flower Power é constante). No mínimo, exige-se que sejam quentes.

(Maio 2010)

Nome
Inferno
Local
Porto, Porto, R. José Falcão, 157
Telefone
966008185
Horarios
Segunda a Quinta das 19:00 às 02:00
Sexta e Sábado das 19:00 às 04:00
Website
http://www.infernoinfernoinferno.blogspot.com
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