Fugas - restaurantes e bares

Paulo Pimenta

Vamos comer a maçã?

Por Andreia Marques Pereira ,

É um Taboo sem tabus. É um bar azul-marinho, despenteado e desalinhado, que quer ser urbano, cosmopolita, europeu e único na Baixa portuense. Pela atitude (vamos à ''happy hour''), pela música (vamos à electrónica - pop e electro), pelos "betos" e "dreads", pelos "Benetton" e "rastas". Certo é que, ninguém sai dali sem passar pela cama.
Vamos comer a maçã?

Não há nada de libidinoso, decidimos nós, neste Taboo. Apesar dos flyers sugestivos - "Qual é o seu?" é a punch line, com imagens diferentes (uma maçã, por exemplo, revela que "pecar já não é") -, apesar de Giacomo Cazanova estar ali a contar a "História da minha vida", apesar da cama no "quarto". É que afinal os flyers são inofensivos, o Cazanova uma coincidência cortesia de uma colecção de revista e o quarto não é quarto, é apenas mais uma sala que tem uma cama como peça de mobiliário central. Há é alguma provocação, neste bar (e clube algo envergonhado) despenteado (pela arquitectura) e desalinhado (pela música), que abriu em Julho ali pela Baixa do Porto e passou Agosto a afinar estratégias - agora, na "rentrée", quer agitar as águas. "Um período de experiências", referem-se dois dos proprietários, Tiago Pinto e Pedro Almeida, à época baixa de Julho e Agosto que escolheram para abrir o baú dos tabus portuenses - não é apenas conversa, porque alguns ajustamentos até foram, entretanto, feitos. Um deles nada de somenos: "Achámos que os preços eram altos porque não tínhamos eventos". Vai daí, baixaram-se. E não terão ficado por aqui, uma vez que os proprietários são neófitos nestas coisas da noite. Mas têm ideias claras do que não querem - o que querem é o que andam a descobrir.

Excepto o conceito geral. Queriam um espaço "marcadamente urbano" e "sem qualquer tipo de conotação" ("daí o nome", explica Pedro). Sem conotação a "qualquer tribo urbana". "É que", considera Tiago, "o Porto é uma cidade separatista, tem alguns ambientes de gueto". O Taboo, resume, "quer ser cosmopolita, europeu". E isso, continua, nota-se na música e nos funcionários. Nos funcionários, "há o ''Benetton'', o beto e o tatuado" - qualquer semelhança com o sistema de quotas será pura coincidência, ou não - "dando dinâmica simpática ao espaço". O resultado é um ecletismo de públicos que inclui desde "dreads a rastas", dos "20 aos 60 anos".

Na música, esqueçam a "música comercial", o rock e, pecado capital!, os "anos 80". Aqui, é a electrónica que reina - o pop, o electro. "Electrónica não agressiva, fofinha, mais dançável" - porque o Taboo não é propriamente um clube, mas tem um espaço de dança ("chamar-lhe pista seria presunção", brincam). Não há luzes espampanantes (pequenas bolas de espelho que reflectem na parede como pirilampos) nem nada que o delimite, mas aquela área aberta que termina num "bico" pouco usual (que foi um "bico de obra para trabalhar" - o trocadilho é de Pedro) é quase um convite informal para um eventual pé de dança - que acontece, mas não é constante. Marc Muller, Miss Kitten, Thievery Corporation, Jay Jay Johanson são alguns dos nomes ouvidos. "Na inauguração passámos este tipo de música, definimos a identidade aí", explica Tiago. Estava encontrado o ADN musical, portanto (que não é, no entanto, "puro", como veremos), num caminho que não será o "mais fácil" - "poderá levar mais tempo a consolidar, as pessoas resistem à mudança", prevêem.

Nome
Taboo
Local
Porto, Porto, Rua General Silveira, 45
Horarios
Domingo, Terça-feira, Quarta-feira e Quinta-feira das 17:00 às 02:00
Sexta e Sábado das 17:00 às 03:30
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