Um percurso lento, portanto, é o que esperam para este projecto, mas sustentado. O caminho foi longo, desde que "por carolice" os amigos decidiram abrir um bar; desde que os números 45 e 47, da Rua General Silveira (que sempre pensáramos ser a Rua das Oliveiras, mas afinal tem nome próprio), passou de churrasqueira a Taboo. Agora, a churrasqueira é quase pré-história, três anos volvidos desde o nascimento do projecto recém-concretizado. Claro que há vestígios: o balcão e a localização das casas de banho e armazém. E há aspectos estruturais: e aqui está o "despenteado" de que falámos, que é na verdade uma desestruturação arquitectónica. Que é, na verdade, feitio, não defeito, decidimos nós - afinal, há um charme insuspeito nas paredes tortas e tectos inclinados, agora pintados a azul-escuro. Um caos estruturado, para um bar anguloso, onde a decoração foi pensada para "evidenciar a estrutura" e não se perder em pormenores.
Entramos por portadas altas, as que abrem para a rua bem no coração do Porto - nunca houve hesitações na localização, a Baixa ("sempre achámos a Baixa o futuro", explica Tiago Pinto - e há três anos, quando o projecto começou a tomar forma, atrevemo-nos a dizer que esta era quase uma questão de fé), houve nos espaços ("alguns eram muito caros outros não agradavam"). Este era "um espaço engraçado", depois de algum esforço de abstracção, que se proporcionava a muita coisa. Uma das mais óbvias, para os proprietários, era a sala virada para a rua, a principal, para onde entramos envolvidos pelo azul-marinho que pinta todo o espaço, preenchido por mesas de madeira, despojadas, pintadas de azul - e cadeiras na mesma linha estofadas com inesperado kitsch - sob candeeiros prateados. É a "sala da frente", não dizemos a sala de estar, porque o Taboo é todo ele uma sala de estar e o objectivo é que as pessoas se deixem ficar, a conversar. As traseiras são sala de estar em versão mais lounge - camas fazem de sofás preenchidos de almofadas coloridas, recanto de leitura ("sofás da avó", que eram da tia, candeeiro e revistas e livros) e a tal pista-que-não- o-é em frente à cabina de DJ que é um aparador antigo. Nas paredes militantemente azuis, há "esqueletos" de janelas e portas incrustadas em pé ou deitadas, uma forma de trazer a "identidade do bairro" para as traseiras do bar e "dar textura" - afinal, a nota mais colorida no Taboo é afinal o tampo do balcão (radicalmente laranja), embora uma parede seja "rabiscada" por luzes e a estante de bebidas sejam rasgos de luzes. "Este espaço tem tudo para ser frio", reconhece Pedro, "pelo cimento no chão e o azul nas paredes. Mas saiu ao contrário, acolhedor, nocturno por excelência".
O que não significa que feche tarde - às 03h30 encerram-se as portas para que fique a vontade de voltar, do género "hoje soube-me a pouco, hoje soube-me a tanto", como canta Sérgio Godinho - e não cultive o dia. E as horas felizes: a abertura às 17h00 não é inocente. O Taboo quer criar uma happy hour porque o Porto tem de estar no mesmo fuso sócio-cultural das outras cidades europeias - e é Madrid e Barcelona que estão na ponta da língua dos proprietários. Por isso, haverá tapas (numa segunda fase, almoços, esperam) e esperança numa alteração do ritmo de vida - menos vivência da casa. "Tarefa homérica", imaginam.
- Nome
- Taboo
- Local
- Porto, Porto, Rua General Silveira, 45
- Horarios
- Domingo, Terça-feira, Quarta-feira e Quinta-feira das 17:00 às 02:00
Sexta e Sábado das 17:00 às 03:30