Fugas - restaurantes e bares

Fernando Veludo/NFactos

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O clube que quer ser dourado

A parede, um enorme espaço vazio e é esse "nada" que dá a indicação, estamos na pista de dança - reparamos depois nos robots de luz no tecto que configura o espaço dançante, mas os lasers que se movem ao ritmo da música vão correr tudo além da pista. E além da pista, no rectângulo primordial, há ainda umas poucas de mesas baixas rodeadas de sofás castanhos e brancos - e novamente uma moldura vazia: "Falta o espelho, que dará profundidade à casa", um espelho que será "enferrujado" como o que se pendurou dentro do balcão. Abre-se um recanto que por enquanto é lounge, apenas mesas e sofás - e alguns candeeiros de pé, brancos, que se repetem por todo o espaço, alguns como colunas, outros como garrafas: pontos de luz suave em casa de tecnologia - mas que será zona VIP quando o futuro chegar. "Ainda estamos a arrancar", lembra Fernando Figueiredo. Passos pequenos a sentir o pulso à nova casa e a conquistar uma nova atmosfera que faça esquecer o "ambiente estranho" que se vivia nos últimos tempos do tal bar-com-bilhares. "Muita miudagem..."

Agora a miudagem, a haver, é universitária - os jantares no Estrela d''Ouro e a continuação da noite no D''Ouro Club. Por enquanto, as quartas-feiras, por exemplo, estão reservadas a festas académicas (e aniversários), em regime de reserva do espaço. O clube abre a partir de quinta-feira, com a noite latina - que é também noite da mulher -, mas quando passar a abrir à quarta-feira haverá anos 80. Às sextas-feiras avança-se uma década: com Time Traveller, parte-se dos anos 90, e do conceito do Cais 447, para se chegar aos dias de hoje; e chega-se a sábado com house, sem ortodoxias: uma noite típica pode abrir "com rock, passar pelo disco, deep house e chegar à comercial", explica Fernando Figueiredo, que é também um dos DJ residentes. Aos sábados haverá também DJ convidados, uma vez por mês, pelo menos - e nessas noites o consumo obrigatório será de cinco euros, ao invés dos dois que são a regra.

Mas, voltando ao tal bar-combilhares, a terceira zona do D''Ouro Club é quase uma cópia dele. Na estrutura pelo menos, e é esta que não passa despercebida. O tecto, que nunca é muito alto, aqui ainda baixa um pouco mais e cobre-se de " vulcões" - formas convexas que pendem como estalactites, com focos de luz na ponta. Sob elas, mesas altas, pé de metal e tampo branco e uma cortina de ar que varre o espaço que é a zona de fumadores. O bar, comprido, também tem caprichos convexos, ondulantes como um oceano em dia de vento - são brancos e com as luzes viram azuis. Uma das poucas excepções num espaço que se quer dourado, mas que quando a música começa a acelerar se pinta de vermelho e verde pelo tecto salpicado dos lasers que o percorrem. Em ritmos pré-definidos mas à mercê de um eclectismo musical característico de algumas casas da Zona Industrial do Porto - que agora se serve, também, na Baixa, portanto.

Academia

Quando se instalaram aqui, os sócios (Manuel e o irmão, Fernando Martins) criaram um espaço que tentaram que fosse agradável. Investiram "em design" cuidado, "mas os estudantes não ligam", diz Manuel Martins. Por isso, aos fins-de-semana, sobretudo, não surpreende se as mesas são corridas e colocadas para muitas dezenas de pessoas. Por estes dias, um jantar académico de 400 pessoas passará por aqui e o restaurante vai transbordar para o clube. Desta vez, literalmente - nas outras vezes, pode ser criado um menu especial que inclua, por exemplo, uma bebida gratuita no D''Ouro Club ("procuramos criar situação à medida na sala de cima"). Mas a grande vantagem do espaço, na opinião de Manuel Martins, é as pessoas poderem chegar, sentar e comer e depois subirem e divertir-se. E a comida e a diversão nos dois espaços, independentes, vão até às 6h00.

Nome
D'Ouro Club
Local
Porto, Porto, R. da Fábrica, 59
Horarios
Quinta a Sábado das 23:00 às 06:00
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