"Já pensámos em expansão", confessa Joana, "gostaríamos de voltar a ter disco". Expliquese: o Purex - nascido no espaço que antes era o Café Puro (que serviu de pura inspiração para o actual baptismo) - era, durante os primeiros anos, um clube com pista e som à altura que cativava à séria; por aqui passaram muitos DJ célebres e que hoje são cabeças-de-cartaz - até internacionais, como a (agora) superestrela Ellen Allien. Mas ao perder o estatuto disco, passou a só-bar (sempre dançante, que bem pode a música ser em volume baixo que o povo arranja sempre maneira de fazer pista). Entre essa fase e hoje, a conquista fez-se pouco a pouco. Agora, "é um conceito firmado", sublinha Joana, feito de "simpatia", "familiaridade", "eventos giros" - "até porque estamos sempre abertos a propostas". O Purex não se expandiu ainda mas já tem um braço gastronómico: o restaurante económico Estrela da Bica, no vizinho bairro homónimo. Com o mesmo espírito.
Ao longo do tempo, o Purex já teve muitas famas ("já nos chamaram de tudo, já", ri-se Joana), particularmente a de não passar de um bar gay ou mesmo apenas lésbico. Para Joana, não há carimbos: "é gay friendly". É muito frequentado pela comunidade gay mas "também por toda a gente, de todas as idades, de todas as áreas, famosos e anónimos". Lado a lado, "tanto pode estar o maior beto como o maior freak", "um gay ou um hetero". Nada de guetos, portanto. "O que temos é uma clientela muito civilizada". Ponto final, que este é um bar dançante para a civilização. O ambiente cosy tem as suas consequências: "Em dez anos, contam-se pelos dedos os problemas que tivemos", "e isto sem porteiro" , "é como se tivéssemos um porteiro invisível". E em dez anos já houve muita noite memorável, como aquela em que as divas Peaches e Dita von Teese, que por essas alturas eram estrelas de um cartaz Lux, foram apresentadas ao Purex e de lá não quiseram mais sair. Ou quando a ex-deputada Odete Santos participou no festival Add Wood: "Era gente rua abaixo, rua acima, que já não cabia cá dentro, esborrachados para a verem, a gritarem Odete, Odete". Há noites assim.
E qual será o futuro do Purex, que apesar de um certo low profile (ou talvez por isso mesmo), é, sublinhese, um dos poucos bares de verdadeiro culto, "com alma", "com carisma", que restam no Bairro Alto? "Evolução na continuidade"? - pergunto de sorriso na caneta. "Evidentemente", ri-se Joana: "Mutável, mas sempre neste conceito trashy".
Add Wood é o festival
É um certame marcante da vida do Purex, um "festival-extravaganza" onde o "lixo se junta à subversão", prestes a celebrar cinco anos a reunir artistas de várias artes (performance/teatro, música, dança, literatura, moda, cinema/ audiovisual, etc.). Bem lido, o Add Wood reporta logo a Ed Wood, dito o pior realizador de sempre, que fazia filmes tão maus que eram bons; também cheira à tal Hollywood e ainda sublinha o "add" que vertido do inglês dá adicionar (até ao cúmulo, digamos). Este ano, "o pior festival de sempre" promete mais, sempre segundo o lema "quanto pior melhor". Os criadores participantes têm a "possibilidade de apresentar publicamente as mais asquerosas, idiotas e impraticáveis ideias" que "alguma vez tenham tido a ousadia de conceber". O cartaz da próxima edição ainda não foi fechado e o certame está em fase de organização mas marque-se já na agenda: deverá realizar-se de 17 a 20 de Maio. Noutros anos, passaram pelo Add Wood, entre muitos (muitos) outros, JP Simões, Edgar Pêra, Tiago Gomes, Ana Borralho e João Galante, Ana Vidigal, António Cabrita, João Vinagre, Miguel Bonneville, Tiago Borges ou a exdeputada comunista Odete Santos.
- Nome
- Purex
- Local
- Lisboa, Encarnação, R. Salgadeiras, 28
- Telefone
- 213421942
- Horarios
- Terça a Domingo das 22:00 às 02:00
- Website
- http://www.facebook.com/purexclub