"What a lovely place!" [que sítio adorável, digamos], lê-se projectado numa das paredes desta pequena sala, corrida a paredes escuras, tornadas telas de projecção para sublinhar o ambiente cinematográfico e de experimentação audiovisual. O espaço, de linhas limpas e sóbrias e decoração neutra, resume-se em dois ou três takes: um grande janelão para a rua, um balcão de bar com cadeiras de pé (bem) alto, uma mesa móvel de DJ (com rodinhas, para ir-se adaptando ao local conforme as necessidades), três ou quatro conjuntos de cadeiras e mesas de toque retro, ao fundo uma estratégica parede-espelho para ampliar o espaço e, last but not least, um grande ecrã, rei e senhor desta "muvida".
O conjunto é marcado por iluminações, candeeiros e focos bem esgalhados e projecções de slides ou vídeos que vão sendo alterados e constituem a verdadeira decoração da sala que vive, literalmente, a dois tempos, graças ao seu prolongado horário e diferentes propostas: "De dia, funciona como um lounge com almoços e refeições e uns petiscos e vinhos ao fim da tarde", resume Cláudia Batalhão, co-proprietária e responsável pela versão noctívaga do Muv, "à noite, assume o seu lado mais clube", com "uma forte componente cultural" porque este não quer ser "um espaço só de lazer noctívago".
A vida a dois tempos e a dinamização cultural estão directamente ligados, naturalmente, aos proprietários, dedicados às artes e ao audiovisual: além de Cláudia - profissional e academicamente ligada à fotografia, cinema e vídeo -, Rui Gonçalves, Miguel Osório e Eduardo Duarte (um dos mentores e sócios da vintage casa da Geraldine -bar, loja, restaurante, academia e etc.). Junta-se tudo, mexe-se bem e cá está o Muv para mover a cidade.
"Há muito que pensávamos abrir um espaço assim e, por acaso, encontrámos este sítio vago", conta Cláudia. "Era parte de um armazém industrial e até serviu de estaleiro de obras". Dessa encarnação anterior, o espaço guarda apenas um bela recordação no tecto: uma grua industrial que assenta às mil maravilhas no conjunto. O espaço é "neutro" precisamente porque a equipa queria "dar grande importância à imagem", incluindo as projecções de slides, "que acabam por cobrir as paredes todos os dias de forma diferente", e vídeo, sublinha Cláudia.
Quanto à relação com a Geraldine, via Eduardo, esta limita-se mesmo à decoração mas, por agora, a "menina" vintage (que actualmente tem casa na Travessa da Glória) até mostra alguns dos seus objectos (câmaras, etc.) em nichos na parede, um showcase, porém, que vai mudando de temáticas: em Fevereiro, podem ser apreciadas peças e adereços da Miss Suzie (antes tinha "montra" no Maxime).
Pelo Muv, prometem, não haverá noites sem animação ou actividade cultural. "Queremos apostar em projectos novos, projectos em que acreditamos", adianta Cláudia. Os primeiros dois meses serviram para "ir experimentando" mas Fevereiro é já um "mês quase ideal", com uma programação que inclui cinema (ciclos Noites de Porcelana), concertos (dia 2 foi o primeiro, com a estreia alfacinha dos Agência de Viagens, mas há mais três programados para as próximas semanas), brunches temáticos (há um tropical ao som de Carmen Miranda), além, claro, da base, as sessões com DJ - "são a base mas estamos a tentar diversificar cada vez mais".
Nas primeiras semanas de abertura, houve logo eventos-surpresa, casos de uma performance do decano poeta e artista media norte-americano Gerd Stern ou do concerto da japonesa Hana Kogure. Acontecimentos que foram "frutos do acaso" mas que vão ao encontro do que é desejado para o Muv, destinado a ter uma "programação um pouco diferente do normal de um bar", com actividades que até surpreendam a freguesia. "Tentamos que as pessoas que vêm cá, seja com performances, projecções de cinema ou o que seja, estejam adaptados ao espaço", que seja "algo especial", ideal para "um ambiente familiar e de interacção".
A ideia é tornar o Muv, crescentemente, um cenário de eventos especiais, com performances audiovisuais (como um "pequeno festival de VJ"), um ou dois concertos por semana e, sublinhese, "sempre com entrada livre, independentemente do espectáculo".
Referências
Noites de Porcelana
Em Fevereiro, há Noites de Porcelana, em que o cinema é quem mais ordena. A primeira está marcada para esta segunda-feira. Organizadas por Luísa Rosa Baptista, as Noites de Porcelana incluem ciclos de cinema com temáticas ligadas aos anos 70. Pretende-se contornar os filmes mais comerciais, integrando "aqueles que ninguém conhece" e fazer noites temáticas, dj set incluído (nesta 2.ª, Brown S.). Palavras de ordem: psicadelismo, sensualidade, ícones, música, cinema e sociedade.
Palco Muv
Não há noite sem a sua devida animação e cultura. Em destaque em Fevereiro, além das Noites de Porcelana, a agenda de concertos, com novos sons para descobrir: no dia 11, apresenta-se o grupo Emma Get Wild (Espanha/Reino Unido); no dia 16, realiza-se o lançamento do álbum de Christine Fowler (britânica, residente em Portugal); no dia 18, One Man Destruction Show (rocker britânico, verdadeiro one man show).
DJ Muv
Em matéria de DJ sets, há-os todas as noites. Hoje, Mike Stellar (que vai voltando) e depois 2oldforschool (4.ª), Heartbreak Motel (sessões com John Holmes e convidados, 5.ª), Brown S. (6.ª). Ao longo do mês, pode contar-se com Low Riders (dia 12), Casa Cláudia (Cláudia Duarte/Rádio Radar) e Valise D''Images em sessão In The MUV for Love (dia 14, o Dia dos Namorados), Pansorbe (dia 18), Señor Pelota (dia 20) ou Lucas Gutierrez (live vj/sound set, dia 24). Para aquecer o mês, passe pelo Muv dia 19, um sábado com direito a brunch tropical vespertino e tributo a Carmen Miranda.
Beber e comer
Com tão longo horário, o Muv prepara-se para a jornada com ideias substanciais: durante o dia, em versão mais lounge alimentício, há uma ementa composta com propostas que vão além do comum, como saladas (p.e.x., de camarão com espinafres e frutos secos mais tomate e molho de coco), tostas (que tal uma tostada de presunto e queijo da ilha com tomate e orégãos?) ou pita (de legumes salteados e hummus). Além de tábuas de queijos e/ou enchidos (ou mesmo um tradicional guisado de moelas), há pratos de carne, peixe ou vegetarianos (com pratos do dia a cada almoço) e propõem-se brunches aos sábados. Nas bebidas, destaque para os cocktails (experimente o da casa, que leva gin, vodka e triple sec), dezena e meia de vinhos à escolha, sumos (ananás e menta, líchias com gengibre) ou chá frio.
- Nome
- Muv
- Local
- Lisboa, Lisboa, Rua da Moeda, 1 - F/G
- Horarios
- Segunda a Sexta das 10:00 às 04:00
Sábado das 12:00 às 04:00