A noite é o elo mais fraco
A entrada é pelo elemento terra - entramos para a loja (esqueça-se a montra que pode confundir - rádio, televisão, projector, câmara de filmar antigas, são heranças do locatário anterior, as garrafas de vinho são a indicação certa) que não é uma loja vulgar. É livraria, mercearia, loja de artesanato e outras coisas mais: tudo se contamina. "É o intróito de tudo", explica Nuno Gomes. É a sala de visitas, montra do projecto entre paredes laranjas e castanhas e o fundo branco com "ramagens".
Gastronomia, arte, literatura, ciência, artesanato, até jogos para crianças - "sempre com o mote da sustentabilidade", sublinha Nuno Gomes, também proprietário da editora Planeta Vivo. Nas estantes alinham-se livros, ao lado uma secção infantil, ao fundo, artesanato numa estante vitrina, duas vitrinas exibem livros e produtos de mercearia - chás, especiarias, compotas, vinhos ("são todos servidos no bar", nota Sofia Pereira). Para descansar, um canapé ao fundo, "o ex-líbris do espaço", dourado e veludo escuro, que como o resto do mobiliário do espaço foi resgatado de antiquários ou casas de amigos - o relógio de pé em frente ao balcão (que veio da Escola de Hotelaria) é de "fabrico português", ressalta Nuno Gomes, os candeeiros, alguns de vidro pintado e outros com pendentes são recuperados. Faz parte dessa filosofia de sustentabilidade que é santo-e-senha aqui - e que, qual proselitistas, os mentores parecem empenhados em espalhar.
Na cave estamos no elemento água - e estamos no meio do azul, escuro nas paredes, quase turquesa no chão. Um aquário pequeno recebe-nos com as anémonas "adormecidas", ao fundo um ecrã, junto às paredes uns poucos sofás baixos, negros e vermelhos. É a sala multimédia, para projecção de vídeo e festas temáticas, que no dia seguinte ia receber o primeiro evento - de música electrónica.
Subimos ao primeiro andar e é o fogo que encontramos - no bar. Nas janelas, que ocupam toda a fachada, sentamo-nos no banco que as acompanha e estamos com a cabeça no jardim vertical - quase mil plantas, todas autóctones, que os quatro mentores apanharam e plantaram: "Quando crescerem, teremos uma imagem. Há desenhos de ondas e um sol ao centro feito de camomila, será branco e, ao entardecer, amarelo" (por enquanto há, por exemplo, morangos, que já espreitam vermelhos). E isso está programado para Setembro - daí a inauguração oficial, também adiada pela falta do elemento ar: não o vemos porque ainda está fechado. Quando abrir, o acesso será pela escada em caracol de ferro forjado que parte do bar para o que será um lounge e um observatório astronómico empoleirado entre os telhados da cidade. Ficamos pelo bar onde os cinzeiros cheiram a menta, as mesas são douradas (feitas pelos próprios a partir de colunas que agora são os pés), as cadeiras desirmanadas (a maioria, madeira e aveludados vermelhos, vieram do Rivoli), os sofás retro e a música embala em sonoridades chill out.
Neste conceito articulado e integrado, a noite é o elo "mais fraco", no sentido em que está menos entrosado. Os chás são biológicos, o vinho de pequenos produtores, as bolachas e os queijos artesanais - esta é a marca distintiva. O resto é uma "adaptação aos gostos gerais", assume Nuno Gomes. "Não podemos escapar-lhes". Mas podem ir "apalpando as necessidades" e, lentamente, formar clientes - um pouco de espírito de missão, portanto. Portas sempre abertas, para que todos cirandem e encontrem um mundo que se quer sustentável.
- Nome
- Espaço Anémona
- Local
- Porto, Cedofeita, Travessa de Cedofeira, 62
- Telefone
- 222081004
- Horarios
- Segunda das 10:00 às 20:00
Terça-feira e Quarta-feira das 10:00 às 00:00
Quinta a Sábado das 10:00 às 02:00
- Website
- http://www.eanemona.com