Fugas - restaurantes e bares

Fernando Veludo/nFactos

O Havai pode ser aqui

Por Andreia Marques Pereira ,

Não tem os pés na areia mas chama-se Luau. É um bar e clube que encontramos virado para a praia, sedento de cocktails e com música do dia todos os dias.
O espaço foi herdado, o conceito natural, depois veio a hesitação. "O nome foi o mais difícil de conseguir", recorda Daniela Barreto - e isto quer dizer muito quando se sabe que quatro dias antes da préinauguração ainda funcionava aqui um restaurante. Quando lá vamos é a inauguração oficial - aberta a todos, não apenas a convidados - e, claro, o nome já está espalhado por onde cabe (no exterior, nas colunas gordas que enquadram a esplanada frontal; na cabina de DJ no espaço que é pista de dança). Luau, Music & Cocktail Club. O mar está em frente, a lua instala-se em cima (quando aparece), nota Daniela Barreto, gerente, daí até às míticas festas havaianas foi um salto.

Claro que este é um luau sem pés na areia - ela está do outro lado da avenida nesta marginal de Leça da Palmeira quase a terminar no farol; sem as estrelas sobre a cabeça está abrigado no Paço da Boa Nova, galeria comercial; e high-tech com sistema de som e de luzes. Mas o espírito está lá, o de transformar este espaço num local de convívio entre famílias e amigos. "Esse é o conceito que queremos transmitir." Por isso, este club até tem uma filosofia pouco habitual: abre ao final da tarde, à semana, e à tarde, ao fim-de-semana. Começa aí, para depois conquistar a noite.

Assume-se como um after-work - nos próximos tempos poder-se-ia também considerar um after-beach, porque a localização não influencia só o nome, influencia também as dinâmicas e, já o referimos, a praia é vizinha referencial. Ela está na mira da esplanada que diríamos frontal se não descobríssemos que a entrada oficial é mesmo na galeria, não no vão alinhado por colunas virado para a rua: oito mesas de madeira combinando com cadeiras de verga, tudo assente sob pés de metal, alinhadas geometricamente defronte de uma parede de vidro fechada (não sempre) por cortinados brancos. Há ainda outra esplanada (aberta apenas durante o dia), nas traseiras, na ágora da galeria comercial e, portanto, dividindo-a com alguns dos vizinhos que são cafés e restaurantes.

O Luau também foi restaurante, restaurantes. "Havia o espaço disponível, numa área privilegiada, onde não há grande oferta de música ao vivo, de programação", explica Daniela. "Há muitos cafezinhos, mas bares, clubes não." Os mesmos proprietários viram oportunidade de transformar o espaço que agora é club de nome, mas com um pouco de bar no espírito. "É um conceito diferente do bar habitual", justifica Daniela.

Isto pela "música ao vivo", pelas "noites temáticas". E aqui as noites temáticas são levadas a sério. Tão a sério que cada noite (e está aberto todos os dias) tem um tema: a segunda-feira é latina, a terça de jazz e blues, a quarta é bossa nova, a quinta revivalista (dos anos 50 aos anos 90 em registo best of), a sexta de house clássico, o sábado de soulful e deep house - ao sétimo dia, domingo, descanso com chill out e lounge. Tudo isto pode ser servido por bandas ao vivo (sobretudo os primeiros dias da semana, bem visto), DJ convidados ou o DJ residente, Nuno Nobre, que tocará, pelo menos, três noites por semana.

Com tamanha diversidade, o propósito é "não cansar" o potencial público (e, a saber, gente entre os 25 e os 35 anos, "mais informada, que gosta de boa música"). E ao mesmo tempo segmentá-lo. O fi m-de-semana está reservado a um "público mais abrangente", com um estilo musical mais declaradamente noctívago, algo que, considera Daniela, "quase toda a gente gosta"; a semana fica para "alguns nichos", "se calhar pessoas que não saem todas as noites, mas gostam de alguns estilos". "Queremos que as pessoas aqui nos tenham como ponto de referência", sublinha, "para conversar e dançar um bocadinho".

Há duas zonas principais neste Luau. Uma interior, mais declaradamente de dança, devidamente assinalada com espaço vazio diante da cabina de som (mas enquadrada por um recanto de sofás), e uma de lounge, um degrau abaixo e paredes transparentes (a separar as duas áreas e a separar da rua que desemboca no mar), virada para a esplanada em frente ao mar: a música é a mesma, mas no lounge (que até tem uma bola de espelhos) com um som muito mais suave (embora ela nunca seja a rasgar, nota Daniela). E estas zonas são uma adaptação da anterior encarnação como restaurante, com decoração herdada assinada por Paulo Lobo - o que vemos agora são "adaptações" que tentam manterse na linha anterior. E isto significa, por exemplo, que a cabina de som é provisória, irá incorporar o espírito original de Paulo Lobo que revestiu as paredes de vidro preenchido por pedaços de madeira branca.

É claro e transparente, este Luau, sem ser solar. Há brancos, verdes e castanhos secos, dourados velhos. Chão e tectos imaculadamente brancos - excepto no lounge, onde o tecto é vidro (coberto com telas brancas); sofás também brancos - e pé dourado, o mesmo dourado das mesas e dos pouffs que se instalam na zona chill out. O balcão principal (há um no lounge, "portátil": com o calor, passa para fora) é leve pelo vidro que o constrói e há um recanto de estante, madeiras brancas cruzadas, à espera de exposição de garrafas.

As garrafas são coloridas, mas não tanto quanto a especialidade do Luau - os cocktails estão no nome e são a valer. A lista tem mais de três dezenas, incluindo os sem álcool e os com champanhe. E para acompanhá-los, se necessária for companhia, está, por exemplo, o sushi. Para terminar as tardes (com especialidades só nesse horário, até às 21h00, como a sangria e o tinto de verano) e começar as noites - mais cedo do que o habitual, assinala Daniela. Em família e com amigos, com o espírito de luau, à sombra do farol de Leça.


Referências

Prazeres secretos e borbulhantes Não adianta perguntar os ingredientes dos cocktailsassinatura da casa que Wender, o alquimista responsável por eles, não os revela. O Luau Secret, o Luau Pleasure (sem álcool) e o Luau Bubbles (de champanhe) permanecem, portanto, prazeres borbulhantes secretos (e há ainda o Luau Shooter, não cocktail mas shot misterioso). Mas há outros destaques, quase universais, que Wender assinala, um para cada bebida base principal: o mojito (rum, hortelã, lima e açúcar branco), o Green Destiny (vodka, pepino, kiwi, xarope de canela, sumo de limão e maçã), o Gin Garden (gin, hortelã, xarope de açúcar e sumo de limão), a margarita de maracujá (tequilla, sumo de maracujá, xarope de açúcar e limão) e o Whisky Sour (whisky, sumo de limão, xarope de açúcar). São 33 os cocktails apresentados: seis têm champanhe na base, quatro são não alcoólicos.

Sushi para picar
Pequenos snacks - como baguetes, tostas -vão fazer parte da oferta do Luau. Mas o que sobressai mesmo é o sushi, que será feito aqui, destacando o Porto Maki, uma das especialidades, feito de salmão envolto em camarão, queijo Filadéfia e com molho picante. A ideia, porém, é apenas petiscar, nunca haverá registo de restaurante.

Nome
Luau Music & Cocktail Club
Local
Matosinhos, Matosinhos, Travessa Helena Vieira da Silva, 12
Telefone
918652680
Horarios
Segunda a Sexta das 17:00 às 20:00
Sábado e Domingo das 13:00 às 02:00
Website
www.facebook.com/p/@/223146961053292
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