Fugas - restaurantes e bares

  • Fernando Veludo/nFactos
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Um bar suspenso sobre o Porto

Por Andreia Marques Pereira ,

Se estamos aqui hoje é porque há um antes e um depois. Mas há algo imutável: a vista suspensa sobre a Baixa portuense. Não somos originais, é uma espécie de compulsão (e compreendemos isso mais tarde): chegamos ao 17.º Restaurante & Bar e é à janela que queremos ir.

Às janelas, deveremos dizer, sobretudo nos dois cantos da sala principal onde se sucedem num miradouro irresistível; e ainda há o verdadeiro 17º andar, mas esse é a metade restaurante. O bar e o restaurante erguem-se desde 1973 sobre o Porto, quando nasceu o Hotel Dom Henrique Downtown; em Maio receberam a mais recente das suas renovações e agora apresentam-se de cara lavada e mais determinados do que nunca em superar a sua "geografia": o 17.º não é um restaurante e bar de hotel, é um restaurante e bar da cidade.

Quem o diz é Gisela Lemos, administradora da sociedade proprietária do hotel que é, na verdade, um negócio de família: pessoal e intransmissível, pelo menos até agora, e com funcionários que lá trabalham há mais de 30 anos (as línguas de gato que acompanham o café são produzidas pelo chef Joaquim, o mestre pasteleiro de sempre). É ela quem nos indica a tapeçaria na parede de acesso ao terraço como um testemunho dos 39 anos de vida do bar-restaurante-hotel. Era preciso "fazer algo" para o refrescar e que melhor estímulo do que o "renascimento" da Baixa do Porto?

E, à boleia da makeover do bar, veio a reabertura do restaurante: o 17.º versão restaurante ("era quase de cinco estrelas") estava fechado há 15 anos. Agora, o 17.º faz novamente jus ao nome e, seja no 16.º ou no andar acima, tem uma identidade una e claramente definida - e em perfeita consonância com l' air du temps, clean e confortável, porém com memória: os sofás e poltronas são os de outrora, estofados de novo num azul intenso; os pés das mesas, também azuis, são herdados. Paulo Lobo resgatou o que havia, baralhou e apresenta um espaço cosmopolita com a leveza de um dia de Verão reflectida num ambiente predominantemente cinza-claro e azul.

O chill-out é omnipresente quando se chega ao 17.º (e a possibilidade de haver DJ não está excluída, diz Gisela Lemos, que, isso é certo, vai fazer renascer a música ao vivo), que também renovou o "conceito de bar", que "estava adormecido". Foi um "ajustamento à realidade", diz o chefe de bar, Nuno Santos, chamado a liderar esta nova vida. Com o bar "cada vez mais solicitado" - e uma "procura maior por cocktails, como os mojitos, e vinho a copo" - fez-se "um re-styling da carta, sempre à espreita de novas adições".

E como um bar já não é só bebidas, "mas um jogo de sabores", a mudança na lista passou pela inclusão de petiscos. Os snacks habituais têm agora a companhia de croquetinhos de alheira, moelinhas, ovinhos de codorniz com molho rosé ou presunto bísaro para acompanhar a carta de vinhos do restaurante (por enquanto, as opções a copo são limitadas, mas hão de alargar-se) ou um Alexander #1 ou Singapore Sling para nomear dois cocktails - também os há não alcoólicos, como o Porto Breeze.

Passa pouco das 19h quando começam a chegar os primeiros clientes de final de tarde. O caminho é o do terraço, encaixado num canto do edifício (há um segundo, no restaurante): o chão é deck, o muro transparente, o mobiliário escuro e a paisagem vai da Ponte S. João viajando pela Sé, Torre dos Clérigos, a câmara municipal, o Pavilhão Rosa Mota...

As poucas mesas ficam rapidamente ocupadas e cá dentro, quem chega (e por esta altura são mais hóspedes - os "passantes", que é como quem diz, os portuenses, chegam por volta das 20h, 20h30), tem o tal ritual que nós sem sabermos repetimos: chegar e descortinar a cidade do alto, para o que contam com uma pequena ajuda. Um painel que enquadra no horizonte os principais pontos turísticos visíveis. Em dias limpos, dizem-nos, vê-se o vulto do Marão; hoje é o Porto que desaparece engolido na névoa estival.

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