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Esplanada sacra escondida no coração de Lisboa

Por Marta Spínola Aguiar ,

Sob a benção do Museu de São Roque, uma cafetaria com esplanada em claustro do séc. XVI. Entre Bairro Alto e Chiado, continua a ser um segredo bem guardado mas com muito para atrair, seja a imponência patrimonial, a ementa ou o brunch.

Em pleno centro histórico de Lisboa, entre o bulício do Chiado e do Bairro Alto, redescobre-se um oásis onde a cidade se silencia. À sua porta, passam milhares todos os dias e todas as noites, mas apenas alguns privilegiados descobriram este refúgio. Aqui, na cafetaria e esplanada do renovado Museu de São Roque, a fonte que homenageia o Padre António Vieira é a melhor das bandas sonoras e há o garante de ter por companhia uma tranquilidade única.

Com porta de acesso directo a todos (visitantes ou não do museu), entra-se na esplanada interior, cujo tecto é protegido por placas de madeira que intercalam a luz solar com as sombras, e é-se recebido por um duplo frescor, o do verde das plantas e o de uma pequena fonte moderna. Pelo espaço, sucedem-se as cadeiras e mesas de traços minimalistas.

A esplanada é acolhida pelo claustro do século XVII - dedicado ao Padre António Vieira, que costumava pregar por aqui -, tendo a dita fonte como centro da atracção da cafetaria. "Este é um espaço fantástico que até nos faz pensar que não estamos em Lisboa", diz-nos a gerente do local, Maria João Coelho, reforçando a "sintonia" com o museu, ligado à Santa Casa da Misericórdia.

Embora a cafetaria já existisse, entrou sob nova gerência no Outono passado. Foi tudo "por mero acaso", conta-nos Maria João. Nessa altura, admite, desconhecia o local, "tal como 90% dos lisboetas". Tudo começou pela necessidade de entrar em contacto com a Santa Casa por causa de outros assuntos. "Depois soube que existia este espaço e que não havia ninguém a geri-lo. Achei que seria interessante e decidi avançar", conta. Alguns anos antes, em 2008, o museu, especializado em arte sacra e anexo à igreja homónima, reabria renovado, com o dobro da área e uma maior capacidade para expor mais peças. Para além da inserção de uma loja no rés-do-chão, a cafetaria foi também uma das novidades.

Ainda assim, a sala, em forma de L e pintada de prata com espelhos em dourado, permaneceu uma espécie de segredo partilhado só por alguns. Maria João Coelho espera que isso esteja a mudar e que vá evoluindo para uma maior dinamização, inclusive com eventos de grupos e de empresas. Uma das ideias é aproveitar as quintas-feiras, dia de horário prolongado (abre de terça a domingo das 10h às 18h, mas à quinta alonga-se até às 21h). Para Maria João Coelho, é um dia que poderá ser mais explorado: "Gostávamos de ter aqui eventos que envolvessem música para as pessoas poderem relaxar um bocadinho a seguir ao trabalho e antes de irem para casa. Mas ainda é um projecto que está a ser estudado."

Por agora, a grande atracção, para além do espaço, é a ementa, "criativa", cujas propostas vão muito além do habitual em espaços de apoio a museus e similares. "Temos muita coisa, desde saladas a bolos, passando pelos sumos e pelas tostas. Quisemos apostar numa coisa muito leve mas ao mesmo tempo com muito sabor e qualidade. Queremos pratos rápidos porque nem todas as pessoas têm muito tempo para tomar as refeições e assim sempre comem qualquer coisinha", explica a responsável.

Pela sacra cafetaria, já se viu passar um cheesecake de manga com xarope de manjericão ou um pudim de abacate com costeletas fumadas; não faltam saladas Caesar, uma salada verde com figos e presunto ou uma quiche de tomate e mozzarella; ou sumos naturais especiais (que tal de melancia, framboesa e hortelã; ou abacaxi com manjericão ou uma limonada de pepino...). Para refrescar, pode sugerir-se também a sangria de champanhe e frutos vermelhos e, para petiscar, uma pedra de queijos acompanhada por vinho a copo seleccionado.

A esplanada é também um bom destino para os fins-de-semana: a melhor sugestão é o brunch, que inclui sumo de laranja natural, abacaxi ou abacaxi com manjericão, manteiga, pão, fiambre fumado com mel, peito de peru com espinafres, pastrami, requeijão com mel e nozes, bacon, ovos mexidos ou simples e café (tudo por 11€). É um dos pratos "que tem funcionado muito bem", sublinha a gerente.

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