Fugas - viagens

Adriano Miranda

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E se tirássemos uma fotografia à Lua?

Antes de dar mais uma volta à plataforma, para espreitar Saturno, Beatriz inquiria a avó: "(...) O homem na lua, então não é? Ele é que faz acordar o sol e mudar a lua, não é?" E, quando a avó, dizia, num brusquidão doce, "não é nada", Beatriz retorquia, sem se deixar intimidar: "Foi o que eu vi nos desenhos animados."

Quando, pela segunda vez, espreitámos pelo telescópio, ficamos conquistados. Ali, à nossa frente, ainda pequeno mas perfeitamente visível, Saturno desenhava-se, numa luminosidade branca contra o fundo negro do Universo, circundado pelos seus famosos anéis. Em redor, eram ainda perceptíveis alguns pontinhos luminosos, muito pequenos, que Nuno explicou serem algumas das luas do planeta.

Antes de descermos para o quente do planetário só faltava mais uma observação: a Lua. Nuno explicava que, por estar quase cheia, e muito luminosa, esta não era a melhor noite para observar o satélite natural da Terra, mas ninguém queria saber. Queríamos espreitar o mais depressa possível, porque pressentíamos que íamos ficar fascinados. Se a lua já parece tão perto a olho nu, devia ser fantástica com a proximidade permitida pelo telescópio.

E era mesmo. Enorme, mesmo ali ao pé, como se lhe conseguíssemos tocar com um dedo, coberta de crateras que se viam claramente, fosse na sua superfície fosse no recorte contra o resto do céu. Cheia de uma luz que parecia querer saltar para fora do óculo do telescópio, que nos deixou temporariamente cegos do olho que utilizamos para a ver (foram só uns segundos, passou depressa) e que levou Beatriz a exclamar, incapaz de se conter: "Ó ‘vó, tira uma fotografia à lua". Como se a sua pequena máquina fotográfica, encostada ao olho do telescópio, pudesse captar o que acabara de ver.

O Sol ao alcance da mão

A descida para a sala do planetário só foi entusiasmante porque, na cabeça de todos, devia estar presente a ideia que, lá dentro, estava bem mais quente. Pés dentro dos sacos-cama, corpos estendidos para ver, de todos os ângulos, a cúpula do planetário e deixámo-nos transportar pelo professor e os seus alunos animados que, num acampamento escolar, aproveitam a noite para descobrir mais sobre as estrelas, galáxias e planetas.

Depois de um pequeno lanche, adultos e crianças muniram-se das lanternas que haviam sido aconselhados a levar, e que Lina cobrira com papel de celofane vermelho, para lhes roubar alguma da luminosidade. De mapa na mão, procuraram encontrar as constelações que os astrónomos iam referindo. Tinha começado a Caça às Constelações. Paulo Carvalho, de 44 anos, e o filho Pedro, de 19, eram dos mais entusiastas.

Até tinham levado um ponteiro que libertava uma luz verde para identificarem mais rapidamente os grupos de estrelas. Lina ia dizendo quais. Gémeos. Ursa Maior. Leão Cão Menor. O primeiro a adivinhar onde se encontrava a constelação pedida, naquela imensidão de estrelas em que se transformara o céu do planetário, recebia um saco com presentes. Paulo e Pedro, habituados a observar as estrelas no campo, descobriram a primeira constelação. Outros grupos foram apontando as outras. E tudo ia andando depressa até a voz de Lina ter anunciado: "Cassiopeia". Formaram-se filas, cada um apontando para um ponto diferente do céu. Nem Paulo e Pedro acertaram e a astrónoma passou uns bons minutos a repetir "Próximo". Até que uma menina acertou, depois de alguma ajuda dos organizadores.

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