No que respeita ao Hotel do Mar "tem havido uma grande resistência da parte da administração do hotel em relação à figura da classificação - o que eles me dizem é que não lhes passa pela cabeça fazerem alterações de fundo no hotel, mas admitem querer fazer transformações ao nível dos interiores, por exemplo das casas de banho nos quartos. Naturalmente, a câmara não é insensível a esta resistência. Enquanto arquitecto teria o maior gosto que o edifício fosse classificado, mas enquanto presidente da câmara tenho de ponderar uma série de coisas. Por outro lado tenho a certeza que enquanto eu for presidente não haverá alterações naquele edifício".
Quanto à nova unidade hoteleira em construção, que se diz estar a emparedar o Hotel do Mar, Augusto Pólvora fez notar que se trata de um projecto que esteve em hasta pública e que não surgiram vozes discordantes na altura. "Tinha o objectivo de, com esse edifício, fazer um empreendimento turístico, na perspectiva de criar mais postos de trabalho, mas também de criar uma solução para o estacionamento, uma vez que aquele edifício terá um parque de 300 lugares abertos ao público - e Sesimbra tem um claro problema de estacionamento".
Já em relação ao Bloco do Mar, o presidente da Câmara de Sesimbra considera que a classificação seria penalizadora do ponto de vista financeiro para os cofres da edilidade, além de injusta para os sesimbrenses. Isto porque, a verificar-se, os proprietários do condomínio em causa seriam dispensados de pagar o Imposto Municipal sobre Imóveis, para o que na maior parte são segundas habitações.
Há, em contrapartida, outra circunstância que não foi mencionada, mas parece tão ou mais decisiva do indeferimento: a classificação do Bloco do Mar viria complicar, ou mesmo inviabilizar, parte dos ambiciosos projectos de reordenamento previstos para a Avenida do Mar, eixo principal da vila de Sesimbra. Estes sim, a avançarem, correm o risco de asfixiar a visibilidade da obra de Conceição Silva.
Sesimbra é feia?
Mais vozes surgiram a defender a filosofia de construir para criar postos de trabalho e estacionamento e, de modo geral, para reforçar a política do actual executivo. Mas o que mais surpreendeu no debate foi a quantidade e qualidade das intervenções discordantes, na maior parte assumidas por arquitectos sem emblema partidário. A começar pela própria mesa, onde Susana Lobo, especialista em arquitectura turística, não se conseguiu conter mais e interrompeu Augusto Pólvora para o contrariar: "Fala tanto da preservação do Hotel do Mar, quando neste momento estão a construir ao lado esse edifício que rebenta completamente a escala da vila (...) Sesimbra até há 15 anos atrás mantinha algum do seu carácter e qualidade urbana que neste momento não tem - e eu deixei de passar férias em Sesimbra por causa disso. Acho incrível o senhor estar a ter esse discurso quando foi sob a sua direcção que se aprovou aquele projecto, que destrói a paisagem, essa paisagem de que o Hotel do Mar justamente participa".