Fugas - viagens

Daniel Rocha

Continuação: página 5 de 5

Sesimbra depois de Conceição Silva

Pouco demorou, na verdade, para que o debate evoluísse do estado de conservação da obra de Conceição Silva para o da própria mancha urbana de Sesimbra. Retemos, como uma espécie de síntese crítica, a declaração de princípios da arquitecta Maria Manuel de Almeida: "Claro que estou muito preocupada com o Hotel do Mar - aliás, não tenciono ir lá mais. Mas estou mais preocupada com Sesimbra. Cada vez que venho aqui tenho um desgosto. Porque, cada vez que venho, Sesimbra está mais feia, mais degradada, mais descaracterizada, mais caótica (...) A vila foi destruída não sei em nome de quê - acho que é tanto incompetência dos profissionais que assinaram os projectos que aqui se construíram, como da autarquia que deixou fazer, como ainda da população que elegeu estes autarcas e permitiu que isso acontecesse. A culpa é de todos e agora é já um bocado tarde para voltar atrás. Já não me lembro de ninguém que venha fazer turismo em Sesimbra, a não ser que venha ao engano (...) A mim [Sesimbra] parece-me o Camboja". Um abaixo-assinado a favor da classificação das obras de Conceição Silva circula na internet com o número 3777.

--%>