Os deuses estão connosco
Feitas as apresentações iniciais, vamos partir do princípio que há quem se tenha deixado contagiar pelo espírito que por estes dias se vive em Gramado e vejamos o que ainda pode fazer com o Natal em pano de fundo. Desde 1986 que os festejos da quadra recebem o nome de Natal Luz. E o Natal Luz é um verdadeiro acontecimento. O deste ano a Fugas assistiu a algumas actividades começou a 12 de Novembro e só vai terminar a 11 de Janeiro. Podemos garantir: é um não mais acabar de desfiles, concertos, paradas, peças de teatro e tudo o mais que conseguir imaginar. Para os miúdos não deverá haver melhor.
Por razões óbvias, destacaremos apenas os espectáculos a que assistimos. Era uma quinta-feira pouco amena de meados de Novembro. Nuvens espessas cobriam a cidade e faziam temer o pior. Às 19h00, duas horas e meia antes do início do espectáculo, o céu desabou mesmo sobre a cidade. Uma chuva grossa, impiedosa e, pior do que isso, prolongada, parecia ter deitado tudo a perder. Puro engano: às 21h00, já o recinto da Carrieri estava praticamente lotado.
A "Fantástica Fábrica de Natal" começaria dali a duas horas e ninguém queria perder pitada os mais previdentes foram munidos de capas plásticas, não fosse a chuva tecê-las... A "Fantástica Fábrica de Natal" (bilhetes entre 30 a 60 reais) é um musical para toda a família que relata a história de uma criança que é levada por um anjo até à oficina do Pai Natal. Conta com um elenco de mais de 40 pessoas, dura 50 minutos e a encenação e cenografia é bastante cuidada. O espectáculo repete mais ou menos de três em três dias (programação detalhada de todo o evento em www.natalluzdegramado.com.br).
Para a noite seguinte estava agendado o "Nativitaten", uma produção piromusical que todos os anos tem lugar no lago Joaquina Rita Bier. Mais uma vez, praticamente todas as cadeiras estavam preenchidas para assistir à junção do canto lírico com luz e fogo-de-artifício. É um espectáculo muito mais virado para o lado religioso do Natal e as velinhas distribuídas a cada espectador acentuam-lhe esta faceta. Mas, convenhamos, elas até devem ter dado uma ajuda: o dilúvio só caiu sobre Gramado mesmo, mesmo no fim do "show", os deuses estão do nosso lado...
Rota Romântica: Um pedaço da Alemanha no Brasil
É um daqueles casos em que não vale a pena sequer disfarçar e ninguém quer disfarçar, aliás. Chama-se Rota Romântica porque na Alemanha há um roteiro turístico que tem o mesmo nome e se há sítio no Brasil que pode tentar compararse às "paisagens bucólicas" alemãs é mesmo esta zona do Rio Grande do Sul, declara Cláudio Weber, presidente da Associação de Municípios da Rota Romântica.
O roteiro foi lançado em 1995, com 11 municípios, e foi entretanto alargado para 13. Na prática, propõe aos turistas que aceitem partir à descoberta de cidades relacionadas com a imigração alemã para o Rio Grande do Sul. No município de São Leopoldo, o berço desta imigração, está instalado o Marco Zero da Rota.
A Rota Romântica espalha-se ao longo de 184 quilómetros, nos quais se localizam as cidades de São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estância Velha, Ivoti, Dois Irmãos, Morro Reuter, Santa Maria do Herval, Presidente Lucena, Picada Café, Nova Petrópolis, Gramado, Canela e São Francisco de Paula. Estrada fora, espraiam-se vales, campos e jardins cercados por construções que ainda mantêm as influências da arquitectura enxaimel (tipicamente germânica, uma técnica de construção que consiste em paredes montadas com hastes de madeira encaixadas entre si, cujos espaços são geralmente preenchidos por pedras ou tijolos, sem que haja lugar à utilização de pregos).