A 14 quilómetros do centro de Gramado fica o Parque Estadual do Caracol (em bom rigor, situado já no município de Canela). São 100 hectares de floresta nos quais se esconde uma das maiores atracções naturais da região: a cascata do Caracol, muitas vezes apresentada como "o mais bonito cartão postal do estado" do Rio Grande do Sul. Tratando-se de uma queda de água com 131 metros de altura, outras apresentações e descrições são quase desnecessárias. Dentro do parque há um observatório que se eleva a 180 metros da própria cascata, ao qual se acede através de um elevador, e que garante uma vista privilegiadíssima. Os mais aventureiros (e os que estiverem em boa forma), podem sempre descer os 751 degraus que levam ao ponto mais próximo da queda de água. A descida, diz quem sabe, no caso Raoni, um dos guia do parque, dura mais ou menos 30 minutos; a subida, já se sabe, será sempre mais custosa...
Apesar de ter apenas 10 hectares abertos às visitas, há muito o que fazer dentro do Parque do Caracol. Caminhar pelos vários trilhos ecológicos disponíveis ou simplesmente apreciar a floresta de araucárias são apenas dois bons exemplos. Os 4 a 8 reais que custam as entradas no parque podem muito bem ser aplicados numa visita de um dia.
E o Rio Grande do Sul?: Siza Vieira andou por aqui
Claro que uma visita a Gramado, por implicar uma viagem ao outro lado do Atlântico, não faz muito sentido se não for complementada com outras incursões pelo Rio Grande do Sul, um estado que não está no "top" das preferências dos turistas portugueses. Não tem as praias do Nordeste nem o charme do Rio de Janeiro, menos ainda o cosmopolitismo de São Paulo, mas o Rio Grande do Sul vai a jogo com outros trunfos.
O clima e os traços ainda vincados das colonizações (sobretudo alemã e italiana) são os dois mais valiosos. E estão ligados entre si: o estado é bastante procurado por turistas internos em busca de atractivos tão "exóticos" como um Inverno com neve ou arquitectura eminentemente europeia.
Com uma população na ordem dos 10,5 milhões de habitantes (Portugal terá 10,6 milhões...), o Rio Grande do Sul conta com o quarto maior PIB do conjunto do Brasil, segundo a Wikipedia. É uma região que se orgulha das suas especificidades e que gosta de sublinhar que a sua população é um mosaico de várias culturas. Os gaúchos, como são habitualmente designados os habitantes do Rio Grande do Sul, são, aliás, resultado de uma miscigenação de portugueses, hispânicos e indígenas.
A capital do estado é Porto Alegre e, com 1,5 milhões de habitantes, é uma cidade dinâmica e vibrante. Não sendo particularmente bonita (isto apesar de estar enquadrada pelo lago Guaíba e pela lagoa dos Patos), é daqueles sítios que vai agradando aos poucos. Para o público português, o mais recente argumento para uma visita pode mesmo ser a inauguração da Fundação Iberê Camargo, na Avenida Padre Cacique.
Assim que lá chegámos, numa manhã que acordou cheia de nuvens, temos aquela nítida sensação de "déjà vu". Qualquer semelhança entre este edifício branco, monolítico, e o que vemos na Rua de D. João de Castro, no Porto, é mais do que coincidência. Não que os dois edifícios, o da Fundação Iberê Camargo e o do Museu de Serralves, sejam parecidos, nem pouco mais ou menos, mas o traço, esse, é inconfundível.