Fugas - restaurantes e bares

Rota das Estrelas (Michelin) segue para Coimbra

Por José Augusto Moreira

Juntam-se chefes estrelados, as melhores técnicas, os melhores produtos e um certo espírito Michelin. A Rota das Estrelas começou no Il Gallo D'Oro, no Funchal, e estende-se nos próximos meses pelo resto do país para proporcionar menus únicos em ambiente de festa e exaltação gastronómica. Em Junho, os chefs vão à Quinta das Lágrimas em Coimbra. Depois, seguem-se Amarante, Albufeira, Cascais.

Pelo segundo ano consecutivo, seis dos restaurantes distinguidos com as cobiçadas estrelas do guia Michelin associam-se num roteiro gastronómico sem paralelo em Portugal. O esquema é simples. Cada um dos chefes convida um dos seus colegas estrelados e estes procuram depois a companhia de outros parceiros fora do grupo, abrindo assim a iniciativa a prestigiados cozinheiros do palco internacional. E o resultado é evidente: fomenta-se o contacto e a troca de conhecimentos entre cozinheiros; prestigiam-se os restaurantes e divulga-se a alta cozinha; ganha a clientela.

De uma assentada, é, assim, possível degustar pratos de vários cozinheiros de topo, uma oportunidade única para os amantes da boa mesa. Tal como no ano passado, esta segunda edição da Rota das Estrelas (assim se chama o evento) começou pela Madeira e vai prolongar-se por mais cinco restaurantes estrelados espalhados pelo país. No restaurante Il Gallo D'Oro, no Hotel The cliff Bay, no Funchal, juntaram-se na semana passada quatro cozinheiros que somam um total de seis estrelas nas últimas edições do guia Michelin. Dieter Koschina (Vila Joya, Algarve), Michel Roth (Ritz Paris), ambos com duas estrelas, Diego Guerrero (El Club Allard, Madrid) e o anfitrião Benoit Sinthon, com uma estrela cada, prepararam um menu único para deleite das cerca de duas centenas de felizes contemplados que puderam participar nas três refeições que foram servidas.

Além das estrelas da cozinha, no encontro brilharam também dois nomes da alta pastelaria. O residente Yves Michoux e Gilles Marchal, chefe pasteleiro da parisiense La Maison do Chocolat.

A par do prestígio e da exaltação da mais apurada gastronomia, a partilha de experiências é outro dos pontos-chave da iniciativa. Há, por assim dizer, uma espécie de espírito Michelin, que leva os participantes a apurarem procedimentos e a perscrutarem o melhor caminho para se consolidarem e progredirem na rota do exclusivo grupo de estrelados. No caso do Il Gallo D'Oro, que há dois anos ascendeu ao clube, a pastelaria era precisamente apontada pelos criteriosos inspectores do guia francês como um dos pontos a necessitar de reforço. Aproveitando a presença do pasteleiro parisiense, tiveram lugar ao longo da semana workshops e demonstrações, que não se ficaram pela área dos doces e se alargaram também a matérias como o serviço de sala e provas de vinhos.

Não foi também fruto do acaso a escolha dos chefes convidados.

Tendo como parceiro o único duas estrelas de Portugal (Dieter Koschina), o chefe Benoit Sinthon assumiu o propósito de juntar representantes dos dois expoentes mundiais da alta gastronomia. O rigor e finesse da cozinha francesa, por um lado, a criatividade e irreverência dos modernos cozinheiros espanhóis, por outro.

Além de chefe executivo do Ritz Paris, Michel Roth colecciona também quase todas as mais prestigiadas distinções da cozinha gaulesa (incluindo a comenda de Cavaleiro da Ordem de Legião de Honra), enquanto Diego Guerrero é também um dos mais premiados entre a nova onda de cozinheiros do país vizinho. É igualmente apontado como um dos mais irreverentes e criativos, e muitos vaticinam que não tardará muito até que o seu El ClubAllar seja o próximo restaurante de Madrid a chegar às duas estrelas.

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