Museu da Arte e da Indústria
É um três-em-um. Renovado em 2001 pelo arquitecto Jean-Michel Wilmotte, o Museu da Arte e da Indústria divide as nossas atenções entre as incríveis colecções de fitas (a maior do mundo), de armas e de bicicletas. São 5500 metros quadrados que conservam o património de uma cidade de inventores e de artesãos. Atrás da porta número um estão gavetões que guardam fitas decorativas como relíquias e teares com a imponência de um carrilhão numa igreja (os dois mecanismos partilham o mesmo sistema de cartão perfurado, "Jacquard", que é testado no museu todas as sextas-feiras). A porta número dois revela um verdadeiro arsenal, um catálogo excepcional de armas de caça e de guerra. Um doce para quem se lembrar de uma arma de fogo de um filme ou de uma banda desenhada que não esteja nestas vitrinas. O fuzil de Napoleão, os mosquetes, as carabinas Winchester, os revólveres Remington, as Kalashnikov mais famosas e as Verney Carron mais raras (e um espaço para a arte contemporânea de inspiração bélica). Por detrás da porta número três surge um pelotão de bicicletas. Está exposta a primeira bicicleta francesa (Gauthier), fabricada em 1886, em Saint-Étienne, bem como uma série de protótipos anteriores (velocípede Michaux, de 1868, a "draisina", de 1820) e modelos posteriores (a bicicleta Terrot, de 1905, a máquina de correr "la Valère"). Depois desta tripleta, o mais difícil será fazer a lista de pedidos para o próximo Natal.
Museu de Arte Moderna
Em França, apenas o Centro Georges Pompidou, em Paris, um sucesso de bilheteiras, pode gabar-se de ter uma colecção de obras dos séculos XX e XXI mais completa do que o MAM de Saint-Étienne, situado na zona La Terrasse. Ao todo, o edifício cor de carvão pensado por Didier Guichard em 1987 junta mais de 15 mil obras e orgulha-se de ter uma colecção permanente que nunca chega a ser permanente - a fartura permite à direcção do espaço reciclar as suas salas três vezes por ano. Além dos clássicos Picasso, Miró e Léger, o espaço aloja (pelo menos até ao dia 18 de Abril) uma completa colecção de desenhos do surrealista romeno Victor Brauner (1903-1966), que se integra na série Consommables. Aqui ficam outras pistas prontas a consumir: B52, de Wolf Vostell, Je veux ce que je veux, de Ange Leccia, Rallye, de Peter Stampfli e Bulldozers, de Alain Jacquet. Entre as exposições verdadeiramente temporárias, o destaque vai direitinho para as miragens de Loris Cecchini. O artista italiano, um one-man-show nascido em Milão em 1969, apresenta Dotsandloops, uma perspectiva panorâmica sobre a sua colecção de séries, um jogo de transparências e de distorções, de propagação de energia. O MAM exibe ainda em espaço nobre o projecto Local Line 1, uma colectiva de jovens criadores locais.
Cidade do Design
Trata-se da base da Escola Superior de Arte e Design (fundada em 1859), um espaço moderno e funcional estreado há menos de um ano, e também a casa da Bienal Internacional do Design, que este ano (entre os dias 20 de Novembro e 5 de Dezembro) se debruçará sobre o tema teletransporte. Criada em 2005, a Cidade do Design, o novo desenho da antiga fábrica de armas, procura fazer a ponte entre os tempos áureos da cidade industrial e a contemporaneidade, passando sobre um período sombrio e inerte que Saint-Étienne viveu. Para isso, serve-se de um complexo pedagógico que inclui uma materioteca (biblioteca de materiais) e de um exigente cartaz de exposições. Até ao dia 20 de Março estará patente a exposição On/Off , uma colectiva da italiana Tatiana Trouvé, do francês Davide Balula e de Carsten Höller, belga responsável pela mega-instalação Test Site, que esteve na sala da turbina da Tate Modern londrina entre 2006 e 2007.