Cabe destacar o antigo Hotel Europa, espigão de planta triangular na esquina das ruas Alexandre e Powell, construído em 1909 como uma espécie de duplo do famoso Fratiron de Nova Iorque; a Sun Tower, arranha-céus de vistosa cúpula acobreada, erguida em 1912 para sediar o "Vancôver Sun" (100, W. Pender); e sobretudo o Marine Building, torre de escritórios desenhado em estilo Art Deco em 1930 (355, Burrard St.) com preciosas decorações marinhas. Um par de edifícios mais recentes completam o ramalhete, nomeadamente o Harbour Centre (515 West Hastings), peça de resistência do Brutalismo, coroada pelo Vancôver Lookout, que oferece vistas a 360º sobre a cidade e imediações; e o Canada Place, centro de congressos edificado para a Expo 86 com um telhado que recria as velas ou as ondas do mar. O passeio marítimo que o circunda é também um excelente balcão sobre a enseada de Burrard, animada pelo constante tráfico de hidroaviões, caiaques e todo um sortido de embarcações.
Outro distrito histórico é o de Chinatown, que começou por acolher os emigrantes orientais durante a febre do ouro de meados do século XIX, mesmo antes de a cidade existir. Hoje, a comunidade chinesa prefere viver noutros lados, sobretudo na cidade satélite de Richmond, enquanto Chinatown virou zona de "shopping" e lazer. Uma fantástica gama de lojas e de restaurantes tradicionais, porventura os melhores da China-fora-da-China, alternam com galerias de arte e boutiques de jovens criadores de origem chinesa, justificam plenamente a visita.
Das docas à fábrica de sonhos
A península onde nasceu Vancôver e a mancha urbana que dela derivou para sul são separadas por uma enseada protegida, chamada False Creek. É nas suas margens que mais se tem desenvolvido a revitalização da cidade, a começar por Granville, pequena ilha criada artificialmente para fins industriais, na cabeça meridional da enseada. Desde finais dos anos 70, fábricas e armazéns foram sendo reconvertidos em espaços de lazer, centrados num mercado de charme, que oferece desde bancas de compotas a cafés biológicos, passando por todas as cozinhas do mundo. Nas redondezas há galerias de arte, salas de espectáculos, ateliers artísticos, casas de artesanato e de tudo um pouco, menos lojas corporativas, que aqui não são admitidas. Aos fins-de-semana, os principais cruzamentos, e sobretudo os terraços de madeira que bordejam o mercado, servem de palco a uma variedade de espectáculos circenses, que acentuam a atmosfera festiva da ilha. Granville é a ponta sudoeste do passeio de madeira que bordeja toda a angra de False Creek, obra realizada na maior parte para a Expo 86, mas só agora completa para os Jogos de Inverno. São quase cinco quilómetros que se podem percorrer a pé, de patins ou de bicicleta, ou atravessar numa das pitorescas cascas de nós que a toda a hora cruzam as águas da enseada é, em qualquer caso, um dos melhores passeios de Vancôver. Granville começa por levar à nova Aldeia Olímpica, que depois dos Jogos de Inverno dará lugar a um bairro com capacidade para 12 mil residentes. Na curva oriental da enseada ficam dois ícones da cidade herdados da Expo 86: o BC Place, cogumelo gigante que será também um dos principais cenários dos Jogos, e o Science World, a maior cúpula geodésica do mundo (47m) da autoria de Buckminster Fuller.