Fugas - Viagens

Calvario, Lorenzo de Ávila e Alonso de Tejerina

Calvario, Lorenzo de Ávila e Alonso de Tejerina DR

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Por Castela e Leão, sob o mote da "Paixão"

Quatro figuras de relevância histórica mundial viveram ou passaram por esta terra nesses tempos: a rainha Isabel, a Católica (1451-1504), que com Fernando II de Aragão (1452-1516) formou o par dos designados "Reis Católicos", responsáveis pela unificação do Reino de Espanha; Filipe II, que aí nasceu em 1527, e que em 1580 viria a reinar também sobre Portugal; o navegador Cristóvão Colombo (1415-1506), descobridor da América, que morreu mesmo em Valladolid, o pouso definitivo dos seus restos mortais - que terão passado por Sevilha, Cuba e República Dominicana - mantendo-se ainda hoje envolto em mistério; e Miguel de Cervantes (1547-1616), o celebrado autor de D. Quixote, que habitou na capital entre 1604-06, precisamente os anos que coincidiram com a primeira edição da sua obra-prima (1605).

Duas casas-museus testemunham a relação destas figuras com Valladolid, reconstituindo a atmosfera da época e documentando as vidas e feitos dos respectivos habitantes.

Mas os testemunhos mais notórios do desenvolvimento e mesmo do fausto em que a capital de Castela e Leão viveu nessa época de expansão e de comércio com as Américas são as dezenas de palácios e edifícios religiosos que a povoam. Dos primeiros, merece destaque o Palácio Real, um edifício de estilo plateresco (o equivalente, em Espanha, ao manuelino), que foi corte dos reis nos anos em que a cidade foi capital do reino. Dos segundos, a catedral de Nossa Senhora da Assunção é um caso curioso (e atípico) de miscigenação estética, já que foi projectada como um templo gótico, no século XV, e nunca foi verdadeiramente acabado, tendo sofrido sucessivas intervenções até ao século XIX.

Merece ainda visita o edifício da Universidade, que vem do século XIII, sendo uma das mais antigas do mundo (foi marcante no ensino da Teologia e da Cirurgia) e ainda hoje se mantém em actividade como Faculdade de Direito.

A melhor forma de viver as cidades é, contudo, passear pelas suas ruas, e, como em quase toda a Espanha, esse percurso deve organizar-se a partir da Plaza Mayor, autêntico ex-líbris do país. A de Valladolid é considerada uma das mais belas de Espanha, logo a seguir às de Salamanca e de Madrid, e, para além da dimensão, impressiona pelos edifícios de paredes vermelhas, uma cor que se estende a inúmeras outras ruas na cidade. Segundo a explicação de um dos guias da nossa visita, essa cor "vem do tempo em que a cidade foi capital do reino", e quis associar o visual urbano ao vermelho da bandeira nacional.

Para além da Plaza Mayor, passeia-se agradavelmente no centro histórico da cidade, que parece casar bem o seu perfil monumental com o movimento quotidiano de uma metrópole onde actualmente vivem mais de 300 mil pessoas. Refira-se que Valladolid é capital da província mais extensa de Espanha (tem uma superfície próxima da de Portugal), mas onde apenas habitam 2,5 milhões de pessoas!

Idades do Homem

A época da expansão marítima e do comércio ultramarino deixou também marcas notórias em Medina de Rioseco, a cerca de 30 quilómetros a noroeste de Valladolid. Esta pequena localidade, apesar de distar 300 quilómetros do litoral asturiano, ficaria conhecida como a "Cidade dos Almirantes", desde que o almirante Alfonso Enríquez, no final do século XVI, fez dela sede do comando das naus que demandavam as Américas. Tornou-se um importante centro comercial e mercantil, que rapidamente deu origem a fortunas e a famílias milionárias - é também, por essa razão, conhecida como a "Cidade dos Mil Milionários".

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