Fugas - Viagens

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  • Auto-retrato: Mãe elefante e cria captados pelas câmaras automáticas do parque, sensíveis ao movimento
    Auto-retrato: Mãe elefante e cria captados pelas câmaras automáticas do parque, sensíveis ao movimento Parque Nacional da Gorongosa

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Gorongosa, lugar do silêncio

Cada animal desempenha o seu papel na natureza. Os búfalos, por exemplo, têm uma língua comprida que lhes permite comer ervas grandes e espessas evitadas por outros animais de pasto. E isso ajuda os outros animais a aceder a ervas mais baixas e a descobrir os caminhos para a água.

Já ninguém pensa em fazer reintroduções maciças no Parque Nacional da Gorongosa, como nos primeiros tempos. Surpreendidos com a recuperação registada entre 2004 e 2007 em várias espécies, como piva, chango, javali africano, os peritos redefiniram estratégias. O parque já se gaba de ter das maiores populações de papa-palas, gondongas e oribis. Boa notícia para os predadores, como as chitas.

Vimos uma chita macho a andar, sozinha, no verde da savana. Morreram duas das quatro que para ali vieram: uma no transporte, outra na caça. "Meteu-se com uma imbabala", explicou Carlos Lopes Pereira. "As imbabalas são animais muito sérios. Lutam. Essae chita... não sei o que lhe deu para ir à procura de imbabalas. Enquanto esteve a ser alimentadao, no santuário de fauna bravia, comeu impalas!"

Apesar de selvagens, as chitas viveram algum tempo em cativeiro. Estavam "meio incompetentes." O que lhes valia era as presas também sofrerem de inaptidão. Não havia ali predador tão veloz. Que outro animal terrestre consegue atingir 120 km /hora? O veterinário encontrou-os mortos. "Estavam um ao lado do outro e o irmão a olhar. Nem sequer comeu. A vida real é esta. O resto é poesia."

Eu diria que foi poesia que tivemos. Vimos leões dois dias seguidos. E não haverá nada que dê tanto prazer à minha amiga Irene como a presença dos maiores felinos de África, que ali têm uma juba mais curta do que o habitual - um mistério que intriga quem, como ela, tanto se preocupa, uma das muitas razões para voltar a esse lugar co-gerido pelo Governo de Moçambique e pela Carr Fundation. "É um dos sítios mais selvagens de África", assegura. "Tem um ecossistema muito variado e muito bonito." Uma savana de copa fechada a que chamam "miombo," palavra suaíliwahili que nomeia a árvore preponderante, cobre os dois planaltos. No vale, capim polvilhado de acácias altas, diversos géneros de savana, florestas secas, charcos. Na serra, florestas tropicais, capim de montanha, floresta de galeria. "A ida à serra é imperdível." Até para se perceber como tudo, no mundo, se relaciona.

A Fugas jornalista esteve na Gorongosa a convite da Into África Viagens e Safaris Lda.

Guia prático

Quando ir

Há cerca de 100 quilómetros de picadas a partir das quais se pode observar a flora e a fauna bravia - só na época seca (Abril a Novembro). Durante a época das chuvas (meados de Dezembro a meados de Março), as picadas ficam intransitáveis.

Como ir

Há voos directos de Lisboa para Maputo e para Joanesburgo e de lá para a Beira. O Parque Nacional da Gorongosa fica a cerca de 200 km da Beira. Se decidir conduzir, tenha em conta que não se vende combustível na reserva: as bombas mais próximas ficam em Inchope, Gondola, Beira, Dondo, Nhamatanda, Chimoio, Caia e Vila da Gorongosa. Pode usar a Estrada Nacional Número 1 de Maputo ou a Estrada Nacional Número 6 da Beira. O seu anfitrião também poderá organizar um transfer do aeroporto.

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