Fugas - Viagens

  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio

Continuação: página 2 de 6

Em Courchevel, à procura de super-heróis

Dentro de portas, porém, o ambiente de história infantil dá lugar a um glamour inegável mas discreto. Os interiores são da responsabilidade do arquitecto Pascal Chatron-Michaud, especialista em arquitectura de montanha, e do designer de interiores Tristan Auer, que no currículo conta com uma colaboração com Philip Starck.

E a procissão ainda vai no adro, o que neste caso quer dizer que ainda só deitámos o olho a parte das áreas comuns. Quando entramos na suite que nos calhou em sorte, demoramo-nos a observar os detalhes: a madeira é o elemento dominante, presente nas paredes, na cama, no roupeiro, nas portas que separam a área de dormir da área de trabalho (fará sentido dizer isto neste contexto?) ou de lazer. Há janelas com vista para a neve, que atinge uma altura impressionante, e também uma varanda sobre este pedaço dos Alpes. A coisa promete, pensamos, mas esperemos pela luz do dia para tirar a prova dos nove.

Por agora descemos ao restaurante 1850, onde o chef Bilal Amrani nos aguarda com um manjar dos deuses — de que vamos dar nota apenas da raclette e da tartiflette com queijo Reblochon, para não causar invejas desnecessárias. Comemos praticamente como se não houvesse amanhã e a factura há-de chegar em breve: apesar do conforto da cama, a noite foi uma batalha constante com o estômago e com o corpo ainda às voltas com o peso da altitude.

Acordamos de um sono mal dormido ainda não são 8h. Abrimos as cortinas e temos o primeiro embate: neva insistentemente, o céu está cinzento, julgamos ver nevoeiro — e ainda assim o cenário é avassaladoramente belo. A neve, os pinheiros alpinos, os telhados de madeira, tudo a compor uma moldura que nos parece irreal.

Não é, como veremos mais daqui a pouco, já depois de termos tomado o pequeno-almoço com vista para a floresta e as pistas que rodeiam o hotel — uma das vantagens de La Sivolière é justamente permitir uma saída directa de esquis nos pés. Não é (ainda) o nosso caso — estamos a estrear-nos nestas andanças de neve e tiramos este primeiro dia para um passeio de raquetas.

A neve não parou de cair e diz quem sabe que estão seis graus negativos. Não é preciso muito tempo para que nos habituemos a pisar o tapete fofo que temos por baixo dos pés. A um ritmo cada vez mais compassado, vamos desbravando esta paisagem branca a perder de vista, que só ganha matizes de cor quando esquiadores experimentados a cruzam, velozes e com a adrenalina alimentada. Pinheiros alpinos erguem-se em direcção aos céus e alguns dos seus ramos vergam-se ao peso da neve, que não tem dado tréguas. É fácil ficarmos de queixo caído diante deste cenário imaculado e de silêncio quase absoluto.

Estamos no Chemin des Ecureuils (Caminho dos Esquilos) e o corpo já começa a dar sinais de algum cansaço. É a falta de treino, aliada à altitude. Do céu continuam a cair flocos branquinhos e já percebemos que a paisagem não mudará muito daqui por diante: toneladas de neve, pinheiros e telecadeiras carregadas com esquiadores entusiasmados. Pensamos voltar ao hotel, até que encontramos Janeau, o cão preto que apanha bolas de neve no ar, e deixamo-nos ficar a observar o espectáculo.

--%>