Fugas - Viagens

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E se um resort do Club Med flutuasse? Et voilà…

 

De porto em porto - entre Cádis e Barcelona

Cádis não era o destino previsto mas desembarcámos para a aventura. Vamos perder-nos pelas ruelas da cidade que disputa o título de mais antiga da Europa (estamos a falar do século XII a.C – do tempo dos fenícios). A primeira constituição da Espanha também foi promulgada aqui em 1812.

Do porto ao centro histórico são cinco minutos a pé. Descobrimos logo a lógica das rotas. São quatro pinturas no chão das ruas com cores diferentes. Seguimos a linha roxa, que nos irá levar à Torre Tavira – 45 metros acima do nível do mar e melhor ponto de observação das 126 torres que ainda existem em Cádis da época em que a cidade era o principal entrada das rotas comerciais entre Europa e Américas. Os cinco euros do bilhete dão direito também a uma sessão da câmara escura (o princípio de Leonardo da Vinci: o espelho que se abre e nos mostra o que se passa em tempo real nas ruas; é o real time muito antes da internet). Com as lentes que aproximam as imagens do que se passa lá abaixo, parecemos miúdos no escuro a brincar. Mas a visão que nos seduz é a do alto da torre: o verde cristalino do mar. Partimos em direcção a ele, em busca de "Havana", que é como os locais apelidaram a marginal do Bairro da Viña pela semelhança com o Malecón da capital cubana. Mas o que agora queremos mesmo é um bom bar de tapas. Encontramos alguns demasiado turísticos. Mas não é difícil descobrir onde os locais comem. Partimos para o Mesón Cumbres Mayores, na calle Zorrilla e provamos croquetas de presunto e o presunto, os melhores que comeríamos em toda a viagem, regados a cañas e vinho Rioja.

A partir das sete horas vividas em Cádis, desenvolvemos uma técnica para todos os portos. Nunca íamos nas excursões organizadas no barco, pagas à parte, em geral de autocarro para as cidades maiores como Granada e Sevilha, que não estavam no itinerário. Preferíamos explorar a pé os centros históricos, repletos de ruínas romanas e muçulmanas. Aprendemos logo que uma das vantagens do ClubMed 2 é que o veleiro consegue chegar aos portos mais próximos do centro. Há sempre um posto de turismo logo à frente e as rotas são bem sinalizadas. O receio de que teríamos pouco tempo em cada cidade desfez-se rapidamente. Não só conseguíamos visitar as principais atracções como ainda sobrava tempo para relaxar e passear.

"Tapear" na terra de Picasso
Chegámos à Málaga numa segunda-feira, dia em que o Museu Picasso não abre. Mas percorremos sem correr as principais atracções da cidade: a rota Picasso – a casa onde o pintor nasceu e a igreja onde foi baptizado… " La Manquita", a catedral de apenas uma torre, o Teatro Romano, a Alcazaba, o Castelo de Gibralfaro). Mas o nosso objectivo em Málaga foi sensivelmente "tapear". Seguimos o instinto na escolha do sítio certo. O bar chama-se Málaga, é pequeno e aconchegante, na calle Santa María, 4, perto da Plaza de la Constitución, no caminho para as atracções. Está ali desde 1852. As croquetas de rabo de touro são eleitas as campeãs das tapas no nosso concurso particular, inventado ali na hora. Só um aviso para quem deixar a visita do Castelo para depois das tapas. Os motoristas fazem a siesta. Portanto, depois do autocarro das 15h, só aparece um lá pelas 18h. Foi o único dia em que precisámos tomar um táxi e chegámos apressados ao barco. Mesmo assim antes da meia hora regulamentar.

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