Fugas - restaurantes e bares

  • Fernando Veludo/Nfactos
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Este Indústria também é espacial

O visual é todo novo, portanto, na disposição mudou-se o que se pôde. "Esta coluna, por exemplo", aponta o nosso guia, "não a pudemos tirar [e ela tira a vista toda]. Mas a cabina do som alterou todo o design do espaço". Antes, o espaço era uno e, ao fundo, a cabina do som surgia "como um palanque". Agora, a cabina divide o clube: há a zona de estar, com um bar, e a pista de dança, um bar de cada lado e a cabina de som num dos topos, entre dois pequenos lanços de escadas.

Arquitectura cuidada

A cabina seria uma ilha, não fosse tão sólida, um bloco desenhado à medida do proprietário - e uma das peças mais complicadas, e especiais, de todo o espaço ("a arquitecta teve muito cuidado, sendo uma casa minha, a cabina tinha de ser diferente").

O exterior é revestido a metal, cortado a laser e transportado em peças, a montagem é de redondos sobre redondos, "cortes muito complicados", explica Tó Pereira - o projecto não é dele, mas o conceito é-o e ele acompanhou todo o processo de concretização. E depois da estrutura, o equipamento técnico.

O sistema de som não é novo em Portugal - já há "dois ou três" semelhantes -, mas é exactamente o que Tó Pereira pretendia. "Não é muito som, mas muita qualidade", que permite dançar e conversar na pista perfeitamente (não estamos na pista, estamos perto, e escutamos claramente a voz baixa e pausada do nosso interlocutor).

Não chegamos a saber se este Indústria renascido é a concretização do sonho de Tó Pereira, mas sabemos que em 27 anos de "noite", recebeu várias propostas para se lançar no negócio. Em vários locais. Mas tinha de ser o Indústria. Por razões de ordem "sentimental" - "sempre tive boas noites aqui. Vinha e divertia-me muito, o público da Foz é muito especial" -, e de ordem técnica - "sempre achei o espaço ideal para clube. É o pé direito, a disposição...". Um clube mesmo, não uma discoteca, sublinha Tó Pereira. E muito menos uma mega-discoteca. "Sempre soube que se algum dia avançasse para uma situação destas [comprar um espaço], queria um local mais reduzido, para termos bom ambiente".

No Indústria, a lotação não ultrapassa as 500 pessoas. Ninguém se queixa. Foi sempre assim ao longo da história da casa, outro factor que não deixa Tó Pereira indiferente. Fala na "mística" do local, daí a "responsabilidade acrescida" que sente. Fez mesmo questão de manter o nome e, pelas reacções na inauguração, com frequentadores do "passado", por enquanto esta é uma aposta ganha. "As expectativas eram altas e foram cumpridas".

Mas a inauguração com os amigos da casa (e dos proprietários passou, e agora o desafio é a gestão do público. E aqui, o factor perturbador é o DJ Vibe e o seu grupo de seguidores - não é o tipo de clientes que o Indústria espera ter, que é, a saber, um segmento de pessoas mais velhas (a partir dos 25 anos,) da classe média-alta. Tó Pereira tem noção de que vai ser "complicado", haverá "curiosidade para conhecer o espaço" e, por isso mesmo, sublinha que o DJ Vibe não é o DJ residente do Indústria. Terá, isso sim, uma residência mensal (e, já vimos, poderá improvisar sempre que lhe apeteça).

Nome
Indústria Club
Local
Porto, Nevogilde, Av. Brasil, 843 - Lj. A/F
Telefone
220962935
Horarios
Quinta a Sábado das 00:00 às 06:00
Website
http://www.industria-club.com
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