À meia-noite em ponto, são trazidas grades cá para fora. Cá fora é a Avenida do Brasil e do outro lado é o mar que se adivinha; deste lado, são os edifícios que fazem a primeira linha da Foz, no Porto. E neste portal largo - de uma galeria comercial - está a entrada para uma das mais míticas discotecas da cidade, que, depois de quase um ano de portas fechadas, reabriu com alguma pompa e circunstância no dia 10 de Junho.
Hoje é sábado, o Indústria voltou "à noite" dois dias antes, para mais um capítulo de uma vida já com mais de duas décadas. "Tem 22, 23 anos, não estou bem certo", avança Tó Pereira, o novo proprietário (com Merche Romero) - uma aliança óbvia, quase diríamos: uma casa mítica aliada a um dos mais míticos DJ nacionais. Sim, porque Tó Pereira responde pelo nome DJ Vibe, quando entra na cabina de som. Esta noite não sabe se o fará (nós, confessamos, não ficamos para ver). "Talvez", sorri, "é a vantagem de ter uma casa". Por enquanto, é o DJ Paul Day que assegura a música; até porque ainda é "cedo" - são duas horas, a noite mal começou no Indústria, o clube que Tó Pereira sempre quis ter.
É aos poucos que vai chegando gente aqui ao Indústria, uma "cave" na Foz, com entrada por ampla escadaria de madeira brilhante - a mesma que segue por todo o espaço. Um casal, outro casal, dois amigos, um grupo de amigos (onde não faltam umas "calças-bandeira" dos Estados Unidos e uma voz a gritar "África") vão preenchendo o espaço, que no início da noite tem mais funcionários (elas parecem ter nos micro-calções a farda oficial) do que clientes. É a altura ideal, imaginamos, para observar este invólucro - não é à toa que falamos em invólucro: o clube é quase uma caixa dentro da estrutura do prédio, como explica Tó Pereira. Tem várias peles - três, para sermos precisos -, e a cada nova pele, encolhe. Não o saberíamos dizer, mas é Tó quem o afirma. Acreditamos, claro, mas pensamos que mais meio metro em cada parede não faz assim tanta falta.
É amplo, este clube que mostra um design despojado, assinado por Nini Andrade Silva. "É industrial-espacial", define-o Tó Pereira. É fácil perceber porquê. A madeira do chão é complementada com muito metal, que surge, discreto, nos balcões e na enorme cabina do DJ (que mais parece a ponte de uma nave espacial). Na maior parede do clube, duas ventoinhas gigantes embutidas fazem-nos quase pensar que estamos dentro de uma máquina. Mas não há aqui a frieza asséptica dos cenários espaciais, nem a frieza rude dos cenários industriais: tudo está em equilíbrio para proporcionar o que mais importa, afinal - "o conforto", diz o proprietário. Por isso, há reposteiros de veludos e até uns sofás-ilhas - estão na zona "de estar"; mais, estão no espaço reservado da zona de estar, rodeados por cordões, de veludo também. Por isso, há um cuidado jogo de luzes, desenhado para cada noite - hoje, azuis e rosas, às vezes lilases.
Qualquer semelhança entre este novo Indústria e o anterior não é pura coincidência, é pura obrigação. "Não pudemos mudar a localização das casas de banho, a escada de emergência está no mesmo sítio, mas agora invisível, os bares também ocupam os mesmos lugares", explica Tó Pereira. Tudo o resto foi "totalmente mudado".
- Nome
- Indústria Club
- Local
- Porto, Nevogilde, Av. Brasil, 843 - Lj. A/F
- Telefone
- 220962935
- Horarios
- Quinta a Sábado das 00:00 às 06:00
- Website
- http://www.industria-club.com