O cenário é quase irrepreensivelmente monocromático - a preto e branco com intromissões de cinzentos (e as cores da Bacardi, uma das "parceiras" da casa, cujo símbolo se encontra pintado nos bares) - em materiais de linhas rectas, luzidias, quase futuristas - como a máquina de tabaco, versão touchscreen, cinza e negra. É, claro, programático, este domínio a preto e branco. Primeiro, porque os túneis são sem cor, betão armado; depois porque esta aparente frieza de paletas compõe a tela ideal (que é como quem diz, neutra) para a projecção de tudo e mais alguma coisa.
E, neste caso, tudo e mais alguma coisa são os jogos de luzes que pintam o Túnel das cores desejadas - com LED e com laser. Os LED simulam movimento interminável, se for essa a vontade - uma faixa central no tecto é corrida pelas luzes que aceleram e abrandam, mudam de cor ou enchem-se de cor como se estivéssemos a atravessar um túnel; os lasers desenham traços de densidades distintas a ritmos diferentes. Podem estar em sincronia com a música, sonoridades encorpadas ajudadas pelos painéis acústicos que, envoltos em tecido aveludado, negro "manchado" de branco, até parecem mais um pormenor de decoração.
Este é o invólucro, mas "uma casa faz-se dos clientes", sublinha Afonso Pereira. E são esses clientes que Afonso quer atrair e atrair "mais cedo" - a noite na Baixa começa tarde, queixa-se, deixando pouco tempo de facturação. Para atrair clientes há RP e Facebook, que dão acesso a guest lists e aos respectivos privilégios - duas bebidas grátis (refrigerantes, cerveja Heineken, água) até à meia-noite e meia (mas é só a partir da 1h00 que a casa compõe ambiente, reconhece).
E há a música, uma das grandes apostas da casa - a par da qualidade, das bebidas por exemplo (todas "premium", sublinha Afonso Pereira, da cerveja Heineken e do rum Bacardi, até à "referência", o Hipnotiq, a "bebida dos famosos nos EUA", refere: frutos naturais exóticos, premium vodka e um toque de conhaque, lê-se na garrafa que encerra um líquido azul turquesa). O house e derivados são uma espécie de religião - e a opção por esta linha foi absolutamente pragmática. "Não há casas na Baixa que toquem este estilo", avalia Afonso, "tocam mais electro". Mas esta "religião" não é ortodoxa. "Vamos ter dubstep, drum"n"bass, noites dos anos 80, house dos anos 90".
Os inícios de noite é que se lêem pela mesma cartilha, a do chill-out e deep house ("inclusive vocal") - e aqui se reconhece o bar (porque apesar das ambições dançantes, é-o, sublinha várias vezes Afonso Pereira): "Música mais calma, para estar, tomar um copo, falar". Esse é, contudo, um estado que se quer passageiro, por aqui. Afinal, o lema é dançar - e o DJ Deepsoul é o residente que tem por missão não deixar ninguém parado, com contribuições avulsas de convidados (Rui Mimoso, The Fox, Andreia Moreira Drukpa e Dibiza, Ricardo Marinheira são alguns dos DJ que já passaram pelo Túnel, trazendo diversas sonoridades).
E pela música, para a música, a programação começa a compor-se com dias definidos. À quarta-feira há dubstep e drum"n"bass, a quinta-feira vai oscilar entre os anos 80 e o soulful e deep house, à sexta-feira há um (novo) regresso ao passado, mas do house, que volta aos anos 90, já o sábado é dia para DJ convidados e o domingo, à espera de se lançar nas noites do Túnel, vai ser noite GLS (gays, lésbicas e simpatizantes).
- Nome
- Túnel Bar
- Local
- Porto, Vitória, Rua do Almada, 269
- Horarios
- Quarta a Sábado das 21:00 às 04:00
- Website
- http://www.tunelbar.com