Fugas - restaurantes e bares

  • Fernando Veludo/Nfactos
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Um bar que é um teaser

Por Andreia Marques Pereira ,

No princípio houve a música, house e suas declinações. Depois veio o nome, que a localização inspirou e que, por sua vez, inspirou a estrutura do espaço. O Túnel Bar não é realmente um túnel, mas gravita à volta desse imaginário - à velocidade da(s) luz(es) .
Há cerca de dois meses circulavam pelo Porto uns flyers crípticos. Uma imagem devidamente ambígua, escura, e a frase solitária e, claro, apropriadamente vaga: "Um novo conceito nas noites da cidade do Porto". Não havia endereço, não havia data, não havia nada, portanto, se estamos hoje aqui - e aqui é o Túnel Bar, o tal "novo conceito" da noite portuense - é pura coincidência. "Era um teaser", recorda, entre risos, o sócio-gerente Afonso Pereira. "Mas não deixa de ser verdade", acrescenta, rápido. E porquê? Pela decoração, "clean e minimalista"; pela "linhagem musical" - a saber, house, deephouse e techhouse.

Está assim apresentado, em traços largos, o Túnel Bar, que tem apenas algumas semanas de vida. Uma das novíssimas adições da Baixa do Porto, desta feita em rua de pergaminhos nas ferragens: na Rua do Almada, antes era loja de candeeiros, agora é bar com tendências clubbing, vizinho da Embaixada Lomográfica do Porto.

De dia, passa quase despercebido (quase se poderia dizer vazio). O tal minimalismo começa na fachada, uma anódina montra de vidro que espreita para um interior curto, interrompido por parede negra e espelho.

À noite, esse espelho ganha luz e parece indicar o caminho, assinalado em pontos roxos que se estreitam como se de um verdadeiro túnel se tratasse (não é a porta que leva dessa antecâmara, exposta à curiosidade da rua, ao bar, mas há quem confunda - as verdadeiras portas, a flanquear o espelho, são tão negras quanto a parede).

"Já várias pessoas embateram no espelho", diz Afonso Pereira, divertido. Porém, aqui, o túnel é, antes de mais, conceito fundador - o túnel a sério é o que está metros abaixo, na Praça Filipa de Lencastre, o Túnel de Ceuta, e foi esse que inspirou o nome bar ("foi tão polémica a sua construção, não sei como não foi aproveitado antes...", reflecte Afonso). No início o Túnel foi, portanto, apenas um nome, depois um conceito estrutural, literalmente: se o espaço rectangular, comprido, não inspirava grandes voos, a partir do momento em que o "túnel" entrou no léxico modelou a casa, que nasceu integralmente da cabeça do seu mentor (Afonso), passando depois para o computador e daí para as mãos do arquitecto.

O resultado é este: entrados no bar, encontra-se a área de recepção com balcão, sofá; logo, estreita-se o espaço numa passagem ladeada de uma sucessão de sofás e mesas baixas que simulam cabinas e cujas paredes ostentam fotografias (a preto e branco) do Túnel de Ceuta; passado este, o espaço volta a abrir-se e expande-se numa ampla área "dançável". Há dois balcões - de formas algo caprichosas, para não ser "o habitual" -, algumas mesas altas e cadeiras (poucas: "Não queremos pessoas sentadas, queremos pessoas a dançar, a curtir a noite", explica Afonso - a área de sofás é apenas para "descanso", não imprimem um modo de estar no Túnel) a condizer (tudo de acrílico) e, ao fundo, a cabina de som a presidir a tudo, ladeada de uma área reservada ("não para VIP, para os DJ descansarem"). Tudo isto pode desalinhar-se, porém: "o espaço é dinâmico", e isto significa que a cabina é sobre rodas - pode vir até ao meio da pista, pode encostar e deixar espaço para um palco para música ao vivo.

Nome
Túnel Bar
Local
Porto, Vitória, Rua do Almada, 269
Horarios
Quarta a Sábado das 21:00 às 04:00
Website
http://www.tunelbar.com
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