Fugas - restaurantes e bares

Paulo Pimenta

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Quantas Baixas há na Baixa?

A música que aqui toca é sobretudo comercial - pop, rock e o (parece que) obrigatório desfile dos greatest hits de um passado mais ou menos longínquo - mas a atmosfera que nos envolve quando fazemos a transição definitiva é bem mais retro. Não precisamos que João Paulo nos diga que "a ideia foi recriar uma sala antiga" porque estamos entre espelhos e bronzes, "estuques" (que são molduras) e dourados. É um salão quase clássico, cor de tijolo (não garantimos que o vejam assim: as luzes são ilusórias, como convém) com molduras castanho-rato que desenham ornamentos mais ou menos rebuscados nos tectos e nas paredes - uma preenchida com espelhos de grande rectângulos e juntas de bronze, a outra com um balcão maciço onde não falta um pousa-pés de latão. Dourado, portanto, o mesmo dos candeeiros que pendem alinhados sobre o balcão, o mesmo das prateleiras que preenchem o interior do bar, entre mais espelhos e garrafas - e um pouco ortodoxo Santo António ("porque fica sempre bem", brinca João Paulo), cor azul-escura quase roxa com quem as luzes gostam de brincar. Um longo sofá verde aninha-se sob os espelhos com mesas baixas e pequenos maples cor de tijolo - tudo convida a ir ficando, a puxar conversas, sob uma iluminação quase rarefeita, intimista.

No entanto, é a nossa primeira vez aqui e seguimos o soalho antigo (cerâmica hidráulica em jogo de branco e cinzas, quase como se de um tabuleiro se tratasse) e há um túnel para atravessar (à noite iluminado por focos nos chão). As duplas arcadas desapareceram, cobertas por repas compondo formas excêntricas - e arredondadas. "A ideia", conta João Paulo, "é que parecesse que uma marreta passou por aqui e deixou este desenho". "Parecem as escarpas do Douro...", atreve-se. É rugoso de madeira e caprichoso de forma. Daqui abrem-se as casas de banho (formas arredondadas, pastilhas hexagonais formando colmeias alvíssimas), mas já emergimos "do outro lado" (esta é uma fronteira bem visível) e o outro lado é brilhante - e por vezes ondulante. As paredes e o bar, ao fundo, gostam de arredondar-se e em torno das janelas há uma espécie de moldura que sobe em ondas que se desfazem no tecto: é tudo em vidro, mas parece folha de vidro - o resultado traz ecos de algum "cotovelo" do Guggenheim de Bilbao (e com as luzes nocturnas os mil reflexos, do espaço e dos azulejos do prédio atrás, transformam-no, com alguma concentração, numa visão quase onírica como se de downtown Tóquio se tratasse, como sugere Paulo Pimenta). Moderno, sim, mas de modo algum asséptico - as paredes são em madeira (e também arredondam na zona da cabina do DJ), de várias cores, várias texturas, os sofás são de veludo (e continuam as formas redondas nos "esses" que constroem). As luzes aqui são LED e se estão discretamente instaladas, estão conspícuas quando ligadas - em harmonia com a gigantesca bola de espelhos bem no centro da sala, percorrendo as paredes em ondas (novamente) que seguem os desvarios da madeira. E se na outra sala se conversa, aqui a dança é quem mais ordena - alguém se atreverá a resistir?

Nome
Baixa
Local
Porto, Porto, R. Cândido dos Reis, 52
Telefone
222015855
Horarios
Terça a Sábado das 16:00 às 20:00 e das 22:00 às 02:00
Website
http://www.baixa.pt
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