O Lobby apresenta-se à luta com argumentos de peso, como uma happy hour, que é na verdade mais de quatro, entre as 16h30 e as 21h, com menus "chamativos" (o "scones", o "snacks", o "fondant" e o "tapas" - sempre com bebida a acompanhar), para contrariar o handicap que é estar localizado em "local especialmente movimentado e com falta de estacionamento". (Abra-se aqui um parênteses para uma palavrinha sobre as sangrias - branca, tinta, espumante, champanhe, morango e cerveja (receita) - e sobre os cocktails - as caipirinhas e mojitos têm aqui várias declinações)
E tratada da mesa, as atenções viraram-se para "o resto". No início do ano começaram a explorar a fundo o outro potencial e, diz Hélder, ainda vão a meio do que querem fazer. A programação começa a consolidar-se - e parece não acabar: à noite, a música ao vivo domina a maior parte da semana, mas há ainda magia e história, noites orientais e salsa, poesia e cinema, por exemplo; todo o dia, exposições de (quase) tudo o que aparecer -, o espaço continua em transmutação para albergar tanta ambição. A sala onde estamos, a principal, manteve a cara anterior, mas pintou-a - literalmente mas também figurativamente. Há fotografias nas paredes, agora, umas são permanentes (da autoria de Hélder) e espalham-se por cima do sofá; outras são uma exposição temporária e aglomeram-se numa parede, em molduras diversas, como se de um puzzle se tratasse: de dois em dois meses vão mudando (de mãos dadas com Miguel Bombarda), mas o tema será sempre o mesmo, o Porto.
Há um palco num canto (e até uma pequena bola de espelhos) e há um canto de leitura (a caminho das casas de banho, portas encarnadas e o "clássico" "Menino da Lágrima" a marcar os géneros - o feminino tem um laçarote vermelho na cabeça): em móvel antigo iluminado por pequeno candeeiro, encontram-se Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco e Júlio Dinis, As Aventuras de Tom Sawyer e Os Cinco na Ilha do Tesouro, a História do Porto e a História de Portugal; a National Geographic e o Courrier International...
Mas as principais revoluções não são aqui, nesta sala comprida. Na cave, cheira a tintas e madeira - o arquitecto Pedro Cunha constrói a galeria de arte, a Lobby Gallery, que terá também um pequeno espaço "de estar", entre as exposições que se querem eclécticas: pintura, fotografia, bijuteria, escultura, design. No terraço, espera-se a bonança climatérica para se intervir e torná-lo um verdadeiro lounge chill-out. Por enquanto, o mobiliário (quatro conjuntos de sofás e mesas baixas, o dobro de mesas altas) está quase empilhado, o buda está encostado e serve de cama aos gatos que por ali circulam (e fogem dos clientes), as colunas estão emudecidas. Mas o muro vai subindo pouco a pouco, para que no Verão já seja um pára-vento mais eficaz tapado por canas de bambu, as plantas e flores já estejam a demarcar o perímetro, o ecrã já esteja pendurado (para transmitir os concertos de dentro) - e porque nem só de bom tempo quer viver esta esplanada, uma cobertura amovível há-de ser colocada e três aquecedores hão-de fazer esquecer os invernos do nosso descontentamento.
- Nome
- Lobby
- Local
- Porto, Porto, Rua de Adolfo Casais Monteiro, 71
- Telefone
- 226092075
- Horarios
- Todos os dias das 16:30 às 02:00