Saudade? Do passado musical, depressa compreendemos. "Não somos uma casa de novidades", explica, "queremos música de qualidade mas para recordar" - afinal, recordar é viver, e por esta altura já sabemos que aquelas faixas etárias que Mário referiu ainda não se recompuseram da onda revivalista. No entanto, há mais idades a buscar os "clássicos", mesmo os "clássicos" que não viveram - e as noites Costa Club são bom exemplo disso, refere Mário. Todas as primeiras sextas-feiras do mês, Mário Roque toma conta dos pratos e os vinis voltam a girar como se nunca tivessem saído do Indústria dos anos 90 e o house vintage volta a conquistar adolescentes e jovens. Essa é uma das noites temáticas do Costa do Castelo Rio. E não está só. E muitas vezes é ao vivo.
Ontem, a noite foi portuguesa, com os Bate Folia a tocar José Afonso, Sérgio Godinho, Fausto, José Mário Branco. Quando fomos era quinta-feira e a noite latina: uma banda cubana faz a festa todas as semanas, para depois dar lugar ao DJ. Salsa, cha-cha-cha, merengue (e o baile está montado), MPB e até alguns tangos; o DJ segue a linha, atrevendo-se um pouco mais. Não se esperem, contudo, os hits fáceis que enchem as frequências radiofónicas mal o Verão espreita. "Podíamos ir para as ''macarenas'' que fazem dançar", assume Mário Gil, mas isso "é la movida" (e essa guardam-na para os carnavais do ano). Espere-se algo mais na linha de Compay Segundo ou até Mercedes Sosa que nos trouxe saudade da Argentina mal entramos no bar - recebidos por um mate especial (não está à venda). "Qualidade" é a palavra que anda na boca de Mário Gil. É exigente na música que passa, no serviço, nos produtos (Mário Gil afirma que os mojitos são os melhores de Portugal - não provámos; já não é casa de petiscos, mas há tostas e bifanas), no espaço, ainda em mutação. No que já foi um armazém de frutas e depois o Lotus (afterhours), houve uma revisão geral: as paredes tiveram de ser pintadas (estavam caiadas e ao raspar para devolver a pedra à vida percebeu-se que era impossível) e agora são de duas tonalidades de vermelho (mais suave em baixo, saturado em cima) onde se vislumbram as impressões digitais da pedra, foram acrescentados compartimentos, quase como módulos, para acomodar os serviços.
A decoração é da responsabilidade da mulher de Mário Gil, com a ajuda do designer Alexandre Crista (que, além dos cartazes das festas, ajudou a concretizar as ideias da primeira): desenhou, por exemplo, as estantes serpenteantes do bar de baixo e ambos os balcões, madeira e beges em combinações fluidas. O resto, a decoração ("uma mistura de pop e rústico", "portuguesa e latino americana"), fez-se "com o que há" - inclusive algumas heranças do El Dia Que Me Quieras, o bar das Galerias Lumière em que Mário Gil soltou livremente o argentino em si e que fechou recentemente. "A decoração não vai ficar assim, está a ir pouco a pouco", revela. No rés-do-chão, as mesas alinhadas ao longo da parede serão substituídas por um sofá de ponta a ponta, o chão um dia será de madeira, como o de cima - a combinar com as traves que preenchem os tectos.
- Nome
- Costa do Castelo Rio
- Local
- Porto, Massarelos, Rua de Monchique, 15
- Telefone
- 919745838
- Horarios
- Terça a Quinta das 22:00 às 02:00
Sexta e Sábado das 22:00 às 04:00