Começou por ser uma espécie de casa portuguesa - com floreiras, janelinhas, posters de Beatriz Costa e Vasco Santana e cartazes de filmes nacionais antigos nas paredes e petiscos sobre a mesa - e depois cresceu. Cresceu literalmente - e mudou-se da esquina onde nasceu para 20 metros adiante - e metaforicamente - conquistou a noite feita de copas. E não é à toa que usamos o espanhol, é assim que nos falam - mesmo quando era casa portuguesa tinha um toque argentino: um dos proprietários veio do país das Pampas à boleia de um cunhado jogador de futebol, gostou do país, arranjou emprego num bar, apaixonou-se pela proprietária e o resultado foi (entre outros) o Costa do Castelo, que conhecemos agora na sua versão Costa do Castelo Rio. E o nome aqui diz muito: há um ano passou das traseiras do "castelo" de Leça de Palmeira para a margem do rio Douro.
Não foi uma mudança pacífica - ainda corre nos tribunais o processo que levou ao encerramento em Leça da Palmeira ("De repente, estávamos fora do Plano Director Municipal", explica Mário Gil, o "argentino") - mas foi desejada - a esperança, contudo, ainda é reabrir o Costa do Castelo e no formato original, mais casa de petiscos e menos bar transbordante para a rua em que se transformou entretanto.
É que para "baile" há este, diz, sorridente, Mário Gil. Este, a terceira vida, na marginal do Douro a poucos metros da Alfândega do Porto: dois pisos, várias janelas para o rio, "a melhor decoração possível", a par do "sorriso dos empregados", salvaguarda. É que este não é propriamente o Cheers, "aquele bar" onde todos se conheciam, porém, 14 anos de funcionamento fidelizaram clientela que nem sequer se importou com a mudança de geografia. Seguiram a "família Costa" (os empregados são os de sempre) - porque se o corpo, a "carcaça", brinca Mário, mudou, a "alma" do Costa do Castelo mantém-se a mesma: quem tem vontade de beber um copo, mesmo que sozinho, nunca está só, tem sempre alguém para conversar. E mais cedo ou mais tarde até pode tornar-se um desses fi éis que "garantem a sobrevivência do bar" e que fazem parte da família alargada que vai crescendo com o passar dos anos e o passar de testemunho: um casal (dos muitos) que se conheceu no Costa do Castelo apareceu recentemente com o filho e os filhos de outros "fiéis" já são eles próprios clientes.
Não só de habitués se faz o público do Costa do Castelo, no Porto "está a ser descoberto" e a radiografia já pode ser feita - "maiores de 25 anos, 30, 40", homens e mulheres em balanço natural. E de outros balanços, mais corporais, também se faz este bar de dois pisos: o rés-do-chão é o típico espaço para as conversas (mais ou menos) amenas, o primeiro andar é onde se solta o tal "baile", de que falava Mário Gil (e, atenção, há palco para música ao vivo) - mas ao fim-de-semana esta aparente ordem desordena-se e as conversas trocam o tom mais confidencial pela exuberância mais barulhenta e a dança pode acontecer em qualquer lado. Sim, há o ambiente acolhedor, mas "a música é prato principal", afirma Mário Gil, afirmam-no a ele os que vão. "Dizem que é variada". "Para além de que puxa sempre para o lado da saudade", acrescenta ele.
- Nome
- Costa do Castelo Rio
- Local
- Porto, Massarelos, Rua de Monchique, 15
- Telefone
- 919745838
- Horarios
- Terça a Quinta das 22:00 às 02:00
Sexta e Sábado das 22:00 às 04:00