Fugas - restaurantes e bares

Varanda sobre Lisboa com vista para Moçambique

Por Luís J. Santos (texto), Sara Pereira (vídeo) ,

No topo do prédio do Mercado do Chão do Loureiro, agora um silo automóvel, nasceu o Zambeze, uma grande esplanada (e restaurante) com direito a todo o filme de Lisboa. E que casa as delícias da cozinha portuguesa e beirã com a moçambicana numa decoração à medida onde se destacam heranças de Bordalo Pinheiro e Vista Alegre.

Isto anda tudo ligado. Da minha branca cadeira, em branquíssima esplanada-miradouro com calçada portuguesa no alto de um silo automóvel, os olhos passeiam pelo casario de Lisboa, embalam-se no rio, percorrem-lhe o corpo, os seus braços urbanos, a ponte como um cinto. Os olhos navegam pelo Tejo e subitamente, por artes deste portal em que nos encontramos, navegam já pelo Zambeze, grande rio africano, o maior de Moçambique. 

É 6 de Agosto de 2012 e é 6 de Agosto de 1877, dia em que o explorador Serpa Pinto (e companhia) voltava a África e chegava a Angola para cumprir a missão da sua vida: cruzar o continente africano e, entre outras relevâncias, observar o gigante Zambeze. Os olhos transpõem 135 anos como quem transpõe na retina o Cristo-Rei, o Elevador de Santa Justa, a Baixa, o rio, os telhados, a beleza do eterno filme de Lisboa. Aqui, em esplanada e restaurante deluxe, que une, até em contornos inéditos, Portugal e Moçambique, o explorador actual não enfrenta perigos senão a cafeína ou uma nortada, nem faz descobertas senão turísticas ou gastronómicas. Mas o olhar aprofunda-se, a História está no meio de nós, o Tejo desagua hoje no Zambeze e vice-versa.

E como se unem estes rios e países? Juntam-se riquezas alfacinhas e beirãs a moçambicanas, mexe-se bem, aplica-se no topo do prédio do Mercado do Chão do Loureiro (onde outrora já houve um Terraço de culto) em infinito miradouro e esplanada privilegiada, acrescentam-se culinárias tradicionais e modernas, decora-se com transparências, sinais de Portugal e Moçambique. Está servido o novo Zambeze, por obra e graça da união entre a Visabeira - grupo português da indústria, turismo, imobiliário e muito mais, e um dos maiores investidores em Moçambique - e parceiros estratégicos do turismo moçambicano: Instituto Nacional do Turismo, companhia aérea LAM e até os Aeroportos de Moçambique. 

Para além de se poder provar uma galinha em caril de amendoim e um polvo com migas beirãs, é desde já uma das melhores esplanadas lisboetas para deixar voar o olhar.

Pelo Zambeze, passeamos por ambas as margens. Uma, interior, mas corrida a parede-janela: é a sala de restaurante, claríssima, com candeeiros de tecto com braços e mãos e segurarem lâmpadas, decoração global com puzzles das mais diversas peças Bordallo Pinheiro, paredes onde esvoaçam andorinhas, colunas onde voam peixes e sobem caranguejos, serviço Vista Alegre, vinhos da Casa da Ínsua (hotel solarengo cinco estrelas) - todas as chancelas, integrantes do portefólio da Visabeira; e "ainda vão chegar peças de artesanato moçambicano, incluindo umas girafas de 1,80m", sublinha Raquel Gomes, gerente do espaço.

No exterior, a margem esplanada (são uns 300m2 para mais de uma centena de pessoas), rodeada de miradouro, corrida a mesas, cadeiras e toldos brancos e uns sofázinhos para relaxar a ver o filme do Tejo e da cidade. Ainda por aqui, dois painéis de azulejos da autoria do artista plástico Paulo Ossião com cenas monumentais lisboetas. Para distracções com substracto, há muitos petiscos (umas duas dezenas, até) e vasta carta de bebidas e vinhos, a banda sonora é sempre relaxante e para breve esperem-se alguns eventos, musicais e outros (a grande inauguração do Zambeze ainda está por vir: é em Setembro).

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