Apesar deste importante contributo para o receituário e história da arte dos fogões, a cidade não tem tido, no entanto, restaurantes que se destaquem particularmente no contexto nacional da alta gastronomia, pese embora a projecção atingida pela casa Narcisa. Talvez porque a boa cozinha sempre tenha sido uma característica generalizada, não sendo, por isso, difícil encontrar o poiso adequado para se manducar a preceito. Seja pelas encostas do Bom Jesus e Sameiro, no centro histórico ou nos mais modernos bairros que rodeiam a velha urbe.
Neste aspecto merece especial referência o Campo das Hortas, uma praça onde há décadas coexistem porta-com-porta uma série de restaurantes de referência. Além dos prazeres estomacais, o sítio é igualmente recomendável pelos elementos históricos e monumentais que o rodeiam. A Sé Catedral e a sua história milenar ali a dois passos, o Museu dos Biscainhos, do outro lado, ou até o mais recente Museu da Imagem estão por ali. Para quem vem do centro (tem que ser a pé), o Campo das Hortas dá-se a conhecer franqueando o Arco da Porta Nova, a monumental porta da cidade aberta no muro da urbe medieval no século XVI e cuja configuração actual data de dois séculos depois.
No miolo da praça, que originariamente se chamava Campo das Carvalheiras, outros dois importantes símbolos do barroco granítico: o cruzeiro e a fonte. Ambos classificados como monumento nacional e edificados no contexto de opulência e monumentalidade com que o poder da igreja quis dotar a cidade entre os séculos XVI e XVII. No topo oposto, a poente, a Casa Grande ou Palácio dos Cunha Reis, uma imponente construção já do final do século XVIII que é um dos muitos símbolos do poder dos deões da Sé espalhados pela cidade.
É na ala sul da praça que vamos encontrar, por esta ordem, os restaurantes Inácio, Bem-me-Quer, Cruz Sobral, O Alexandre e O Bacalhau, ocupando praticamente toda a correnteza de edifícios. Com excepção do último, de implantação mais recente, todos os outros são há muito referências da cidade, praticando o mesmo tipo de cozinha tradicional e opulenta e privilegiando o receituário local.
Com ofertas idênticas, destaca-se O Alexandre, pelo aspecto esmerado dumas instalações mais modernas e amplas e a prometer uma ambiente de maior conforto. Assim é, de facto.
Amplo pé direito, com uma espécie de mezanino a dividir os espaços em duas salas sobrepostas. Paredes de granito, mobiliário contemporâneo, espaço desafogado e as mesas elegantemente compostas com alvas toalhas de algodão. A cozinha e tudo o que lá se passa são dados a ver ao cliente através do amplo janelão que faz a ligação com a sala inferior.
Em recente visita, fizemos um jantar para o tardote, numa altura em que a oferta estava já amputada das chamadas sugestões do dia, compostas, ao que nos pareceu, por um bacalhau, vitela e cabrito assados no forno. Além de um queijinho fresco que foi colocado na mesa, convocaram-se também uns rissóis, de peixe, croquetes de vitela e bolinhos de bacalhau, todos em tamanho reduzido e de confecção escorreita.
- Nome
- O Alexandre
- Local
- Braga, Maximinos, Campo das Hortas, 10
- Telefone
- 253614003
- Horarios
- Domingo, Segunda-feira, Terça-feira, Quinta-feira, Sexta-feira e Sábado das 12:00 às 15:00 e das 19:00 às 22:00
- Preço
- 20€
- Cozinha
- Trad. Portuguesa
- Espaço para fumadores
- Não