Para entrada, a alheira panada (5€), que era exactamente isso: envolta em pão ralado que lhe absorveu todas as gorduras e frita por inteiro, singelamente depositada no prato sem qualquer vegetal, legume ou outro que lhe pudesse animar a existência.
Nos peixes, provou-se a pescada à moda da casa (15,50€). Dois troços generosos da parte central levemente gratinados no forno. Fresca, suculenta e saborosa, como mandam as boas regras da cozinha. Foram servidos com uma cobertura de rodelas de cebola e salsa picada salteadas em azeite, na companhia de gulosas batatas fritas às rodelas. Quanto a pescados, a oferta propunha ainda cabeça de pescada para cozer, robalo grelhado e os habituais bacalhaus.
Seguiram-se os rojões (9€ a dose), de boa confecção e textura mas aos quais faltaram o sangue e a orelha de porco para cumprir integralmente a receita bracarense. No mais, carne da perna do reco, tripas e os farinhatos fritos, na companhia de batatinhas alouradas em banha, tudo como manda a boa regra. No que respeita às propostas cárnicas, a carta limitava-se aos habituais bifes, em três ou quatro variações.
O pudim abade de Priscos e uma rabanada compuseram as sobremesas gulosas, ambas honrando e respeitando a tradição e a deixar o sabor doce da satisfação no final da refeição.
Em tempos em que o ambiente de crise parece sobrepor-se a tudo o mais, a carta deste O Alexandre parece não querer destoar. Nota-se alguma contenção resultante da preocupação em arriscar pouco em confecções perecíveis. A contenção no investimento é particularmente notória na carta de vinhos. A par de alguns rótulos do Alentejo e Dão mais populares e de preços sensatos, a oferta esquece a generalidade dos vinhos mais modernos e recentes, particularmente os do Douro. Há, no entanto, uma série de vinhos conceituados já com alguma idade que podem, na generalidade dos casos, revelar-se excelentes opções para acompanhar com pratos de cozinha mais elaborada. Desde os rótulos de cortiça da Adega de Borba aos Barca Velha e prestigiados Dão década passada, há de tudo um pouco.
Apesar do evidente esforço em acompanhar os actuais tempos de contenção, O Alexandre continua como um dos guardiões das boas receitas da cozinha à moda de Braga. Uma palavra de apreço também para o serviço, que é rápido, correcto e diligente.
- Nome
- O Alexandre
- Local
- Braga, Maximinos, Campo das Hortas, 10
- Telefone
- 253614003
- Horarios
- Domingo, Segunda-feira, Terça-feira, Quinta-feira, Sexta-feira e Sábado das 12:00 às 15:00 e das 19:00 às 22:00
- Preço
- 20€
- Cozinha
- Trad. Portuguesa
- Espaço para fumadores
- Não