No mais, mantêm-se as estrelas para as casas Henrique Leis e São Gabriel, ambas em Almancil, Willie's (Vilamoura), Fortaleza do Guincho (Cascais), Arcadas da Capela (Coimbra), Largo do Paço (Amarante) e Il Gallo d'Oro (Funchal).
Entre estes, o restaurante de Cascais era apontado como o mais sério candidato à subida ao patamar das duas estrelas, o que muitos consideram como mais do que justificado. Outra das mais assinaladas discordâncias face ao critério dos inspectores da Michelin é a demora no reconhecimento do trabalho do chef Leonel Pereira à frente do restaurante Panorama, no Hotel Sheraton Lisboa. Talvez porque não abdique de praticar uma cozinha comandada pelos sabores e o respeito às nossas tradições gastronómicas. Ainda bem, dizemos nós.
O mesmo se poderá dizer em relação ao trabalho de Rui Paula, restaurantes DOP (Porto) e DOC (no Douro) e também, de certo modo, de Pedro Lemos, na casa com o seu nome, na Foz do Douro, no Porto.
Sucesso esperado
Entre os distinguidos, o mais efusivo terá sido o jovem austríaco do Ocean, que viu assim reconhecida a vertente de criatividade que sempre procura incluir nos seus pratos. Destacou a grande honra que representa a atribuição da segunda estrela, mas também o reconhecimento e compensação pelo esforço e trabalho árduo.
Já no Feitoria, o chef Cordeiro quis antes vincar a sua aposta na utilização dos produtos nacionais e num projecto que leva já três anos e que vê consolidado com a atenção internacional que a estrela agora desperta. A ansiedade, essa, viveu-a já no ano passado, quando esperava pelo reconhecimento que só agora chegou. É por isso que chama a atenção para os chefs que mereceriam semelhante distinção da publicação francesa.
Idêntica foi a postura de Ricardo Costa, que pareceu até mais aliviado do que eufórico com a conquista, depois de ter assumido o desafio do The Yeatman ainda há pouco mais de um ano. Contido e sóbrio, como é seu timbre, destacou o mérito da equipa que o acompanha e que nos últimos dias se mostrava ansiosa com a perspectiva do reconhecimento. "Vamos agora viver a estrela de forma alegre e descontraída", disse à Fugas, depois de nessa noite ter preparado mais um dos habituais jantares vínicos que são uma das marcas do Yeatman.
A estrela era um dos desígnios desde o início apontados pelos responsáveis do hotel, cuja directora de vinhos, Beatriz Machado, acabou de arrebatar também a distinção para a melhor garrafeira, prémio que é anualmente atribuído pela Revista de Vinhos.
O talento culinário, rigor técnico, imaginação e sofisticação gustativa de Ricardo Costa tinham sido justamente destacados na Fugas há cerca de dois anos por David Lopes Ramos. Dizia então ter saído em estado de euforia de uma refeição na Casa da Calçada e, com a autoridade que lhe era unanimemente reconhecida, vaticinava que, mais ano menos ano, chegaria a hora de ser distinguido com a segunda estrela. Não é ainda a segunda, mas é pela segunda vez que conquista a primeira. E o tempo corre, claramente, a seu favor.